You are currently browsing the tag archive for the ‘walter’ tag.

Foi uma forma diferente de ver um filme, a de sábado à tarde. Não havia a escuridão da sala de cinema ou a mudez da assistência, nem a habitual história ficcionada, romanceada ou simplesmente inventada. A sala estava acesa com a luz que vertia da janela gigante, os meninos corriam e riam por todo o lado, a conversa enchia o ar. O filme, feito de histórias reais que se ligavam em trama apertada no tecido do passado, estava diante dos nossos olhos e ao alcance das nossas mãos, espalhado em cima da grande mesa que servia de tela. Este filme aconteceu, via-se nas centenas de fotografias e outros tantos documentos que falavam aos nossos olhos, através dos factos documentados e com as emoções que emanavam das cartas. Era um filme que jamais algum cinema poderia ter em cartaz.

Vimos este filme no caloroso conforto da sala da tia Micaela. Foi uma tarde magnífica que consumou a promessa de uma visita para revisitar o passado. E foi muita a informação recolhida para o livro nesta tarde. Décadas de história contavam-se à nossa frente nos factos espalhados em certidões de notário, registos, óbitos, escrituras e incontáveis cartas de encorajamento, consolo e de calorosas discussões. Conseguimos desenterrar verdadeiros tesouros de datas, nomes, locais e momentos.

Grande parte dos documentos relacionava-se com a fundação e tempos primordiais do Centro Bíblico e Acampamentos de Esmoriz (CBAE, no seu nome original), e com as controvérsias doutrinárias que eclodiram dentro da Igreja Evangélica de S. João da Madeira, bem no início da década de 70. O papel activo do Avô em ambos os assuntos era evidente nos documentos. Os bons amigos, o Sr. Timóteo e o Sr. Joel, também lá estavam, lado a lado com o Avô, presentes com o mesmo empenho e tenacidade. Curiosamente, também lá estava um outro bom amigo – o Walter Alexandre – igualmente com um papel de relevo.

As fotografias não eram menos cativantes e algumas delas vieram engrossar o lote de imagens coleccionadas para o livro e blog. Entre estas, contam-se algumas particularmente interessantes (e a pedir para serem divulgadas). São imagens que revelam o lado de viajante internacional do Avô, numa visita a Israel em 1979. A evocação do passado distante do Antigo Testamento, tão forte naquelas fotografias, trouxe-me á memória a ancestral bênção sacerdotal do povo de Israel, e que me parece adequada à vida do Avô.

“O Senhor te abençoe e te guarde; Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz.” (Números 6:24-26)

No final daquela tarde fiquei preso às imagens que vi, a pensar nas histórias que contam e naquelas que ocultam. A grande história de uma vida cheia é espantosa; a beleza dos detalhes não é menos impressionante.

Sinto o dever e a responsabilidade de captar parte desse brilho no livro.

P.S. Shalom aleichem – Saudação hebraica que significa “A Paz seja contigo”

Anúncios

Esta manhã, enquanto atravessava a ponte de autocarro e deixava o olhar nadar pelo Tejo a perder de vista, com as ideias a vaguear por recordações e sensações, dei comigo a pensar no tão querido Walter Alexander. Uma lembrança recorrente mas sempre preciosa. Invariavelmente, à sua recordação vem sempre associada uma outra, as últimas palavras do Salmo 19 com as quais ele sempre termina as suas orações. Estas memórias estão tão intimamente ligadas que é impossível dizer onde uma acaba para dar lugar à outra.

O Avô Mateus e o Walter tinham um respeito e admiração mútua, conquistado e acarinhado por anos de cumplicidade no temor e amor a Deus. Eram amigos de longa data, ainda que para o Avô o Walter fosse um “rapaz novo.” Eram igualmente um exemplo para os crentes nas palavras, na conduta, no amor, na fé e na pureza. O Avô falava muito dele e do seu trabalho, e sempre fez tudo ao seu alcance para o apoiar. Partilhavam uma natureza semelhante no que toca à sabedoria, amor pela Palavra e dedicação a Deus. E no sentido de humor.

Só conheci o Walter quando ele regressou a Portugal já na década de 90 e veio morar para S. João da Madeira. Descobri por essa altura que ele e a Elizabeth já tinham estado em Portugal muitos anos antes a colaborar com várias igrejas. Desde então eram vistos como exemplos e fonte de inspiração. O Avô Mateus lembrava-me isso frequentemente, e não poucas vezes da sua eloquência na pregação da palavra e na exortação. Um dom admirável que o Avô tanto apreciava.

Por vezes, ao olhar para as fotografias daquele tempo, tento encontrar os rostos – distintos pela sua beleza – do casal escocês que tantas pessoas marcou. E ainda marca, é certo. Até agora ainda não os consegui encontrar. Deixo aqui um pedido de partilha para quem tenha alguma fotografia do Walter e da Elizabeth em Portugal, ou onde o Avô Mateus e o Walter apareçam juntos.

Espero ainda conhecer algumas dessas histórias onde o Avô e o Walter se cruzam. Espero ter o privilégio de ouvi-las pela boca do próprio Walter.

“Que as minhas palavras te sejam agradáveis, assim como os pensamentos do meu coração, Senhor, minha rocha e meu libertador!” (Salmos 19:14)

O Autor

Um certo e determinado neto em viagem ao passado do seu Avô

Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 7 outros seguidores

Categorias das mensagens

Blog Stats

  • 11,980 visitas