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Elementar meu caro neto,” teria dito o Avô ao filho do seu filho que se lembrou, ao fim deste tempo todo, que talvez fosse uma boa ideia fazer uma procura pelo nome do pai do seu pai na internet.

Ainda não me tinha lembrado desta e admito, com alguma vergonha, que assumi que nada relacionado com o Avô poderia ser encontrado na internet. E talvez seja escusado dizer que errei. Agora a pensar nisso, nem sei porque não escrevi as palavras “Francisco Mateus” num motor de busca e pressionei enter bem mais cedo.

Bem, pior que fazer tarde é não fazer, e eu finalmente fiz. E o resultado?

Comecemos por lembrar que a internet é uma rede de malha muito fina e por isso apanha quase tudo, o que interessa e o que não interessa. E foi muita coisa apareceu ligada ao nome em causa. Deu para perceber imediatamente que o nome não é assim tão incomum no universo lusófono. Mas nestas coisas nunca se pode desistir cedo e a perseverança geralmente paga. E aqui também pagou bem!

Após algum tempo a ler sobre personagens com o nome igual ao do Avô, mas sem qualquer outra semelhança, lá apareceu uma pérola, que afinal de contas tinha sido publicada n’O Regional, um dos jornais locais de S. João da Madeira.

“O Sr. Francisco, como toda gente sabe, é uma pessoa bondosa, de educação cristã. Foi um empresário que proporcionou empregos às famílias são-joanenses. Contribui para o progresso desta terra. Colaborou, durante décadas, com as várias instituições de solidariedade social, com as associações desportivas, culturais e recreativas do concelho, dando importantes donativos, sem se preocupar em saber quais as conotações políticas e religiosas das mesmas. O senhor Francisco Mateus mereceu sempre – e continuará a merecer certamente – o respeito e a admiração dos são-joanenses pela sua bondade, pela sua postura, pela sua rectidão como pessoa de bem e pela grandeza do seu carácter.”

O elogio é rasgado e honesto. E até é melhor do que isso… é verdadeiro. Ter sido um amigo e admirador do Avô a escrever não diminui o seu valor, porque nos dias que correm, nem os amigos escrevem assim sobre os seus amigos, a não ser que estes sejam verdadeiramente excepcionais. Tal como o Avô Mateus.

Estas palavras bem podiam ser um sumário executivo do livro. Talvez até as cite no último capitulo que já estou a escrever. São um olhar isento (ou seja, sem o incontrolável preconceito de um neto que acha que o seu Avô era o maior… e o mais bonito) sobre a pessoa que era o Avô e sobre o seu legado.

O autor do tal elogio rematou-o com uma observação curiosa:

“Talvez por o senhor Francisco Mateus nunca se ter posto em bicos de pés para ser notado, nem ter participado nunca em manifestações de carácter político, se tenham esquecido dele. Mas não todos. Apenas os que são de curta memória.”

E é por isto que estas notícias são escritas, e este blog, e o livro. Para distribuir gratuitamente um antídoto contra a falta de memória.

Obrigado Ade pelas palavras.

Obrigado Avô por as mereceres. Foste o maior (e o mais bonito…)

F. Mateus com uma boa postura (data incerta, lugar incerto com neve)

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Para aqueles que no Domingo passado perderam a celebração do 51º Aniversário da Igreja Evangélica de Cucujães, fica aqui um pequeno conjunto de imagens que lá foi mostrado. O título deste breve evocar do passado da nossa comunidade foi o tema escolhido para este Domingo, o primeiro de todos os outros deste mês que serão igualmente dedicados á celebração do aniversário. O objectivo deste dia foi recordar aqueles que nos precederam e que estabeleceram as fundações da nossa comunidade. O Rebanho Intemporal é uma alusão a estes e a todos aqueles que em todas as épocas seguiram o Grande Pastor.

Para quem leu a entrada anterior, esta é óbvia. O motivo pelo qual esta comunidade existe, e pelo qual estas linhas estão a ser escritas, é porque o Avô Mateus obedeceu á voz do Espírito e, contra muitas adversidades, deu início a este trabalho que mudou radicalmente a vida de centenas – senão mesmo milhares – de pessoas. Quem já leu outras entradas como Os Bons Amigos, ficará contente por saber que estes estiveram ao lado do Avô desde o primeiro momento neste empreendimento, o que revela o poder do trabalho em comunidade.

“Que o Deus da paz, que ressuscitou Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, selando com o seu sangue a eterna aliança, vos conceda aquilo de que precisam para realizarem a sua vontade.”
(Hebreus 13:2)


Banda sonora: “The Holly and the Ivy” by Andrew Peterson

Embora o início da nova estação seja hoje marcado pelo solstício de Inverno, o frio e chuva já a vem anunciando faz algum tempo. É nestes dias cinzentos e tristes que emergem as memórias da estação quente e dos seus longos dias de sol. Foi no espírito destas lembranças que finalizei mais um capítulo do livro, talvez um dos que mais demorou a ser redigido. Comecei a escrevê-lo no auge do Verão passado, sentado numa cama de uma das camaratas do Centro Bíblico de Esmoriz, banhado por um sol glorioso e refrescado pelo vento de norte que invadia o espaço.

As ideias iniciais foram amadurecendo durante os meses que passaram e, aos poucos, foi surgindo uma ligação evidente entre o Avô Mateus e as memórias (quase perfeitas) que guardo das semanas de acampamento dos verões passados naquele local. Numa aproximação mais elementar, pode-se dizer que estas memórias só existem por causa do trabalho do Avô e alguns amigos. Foram eles que em 1967 iniciaram a construção do acampamento, certamente com uma clara visão do futuro, mas ainda assim longe de imaginar o verdadeiro impacto que teria na vida de milhares de pessoas.

Este foi um dos capítulos que mais prazer deu escrever, ainda que não tenha sido o mais fácil. Descobrir o papel do Avô Mateus na construção do CBE e na sua manutenção ao longo de décadas foi uma descoberta tardia para mim e para os primos. Mas foi certamente uma das mais incríveis. Esta é talvez a obra do Avô que mais orgulho me dá.

O Avô Mateus fez uma casa na praia, não para si ou para os seus. Fê-la para todos. Por isso dei a este capítulo o sugestivo nome de “Uma Casa na Praia.”

Obras de construção do Centro Bíblico de Esmoriz

Aproveitei estes dias de férias aqui por SJM para visitar o quintal do Avô Mateus com os meninos. Como habitual, fomos invadidos por aquele sentimento de aventura assim que cruzamos os portões de casa do Avô, tal como se estivéssemos prestes a entrar em território desconhecido. O quintal do Avô sempre cativou os netos pela sua natureza exótica. “Um pequeno jardim secreto que sempre explorávamos com o mesmo entusiasmo e fascínio,” foi como me ocorreu registar no livro a nossa admiração pelo local. Curiosamente, este fascínio parece ter despertado naturalmente nos bisnetos, que sempre se entregam a aventuras e explorações quando lá andam.
Seguindo o ritual antigo dos netos, sondei demoradamente todas as árvores e arbustos à procura dos tão saborosos frutos que o Avô sempre teve no seu quintal. Constantemente na companhia do M & A, procuramos os frutos como se de um tesouro se tratasse. Todo o esforço foi compensado, como sempre, desta vez em deliciosos morangos, amoras, fisális, maças, laranjas e ameixas. Para fugir ao abrasador sol de Agosto, sentei-me com os meninos no alívio da sombra de uma das árvores, onde juntos e descalços fizemos um banquete do fruto da nossa apanha. Da boca da Abi saiu um espontâneo e inocente “obrigado vovô Mateus.” Nada poderia ter sido dito com mais significado. O Avô, tal como as árvores de fruto do seu quintal, continua a deliciar-nos com as suas memórias e os frutos da sua vida.
Por todas as aventuras passadas e presentes neste território tão fantástico, muitas delas em incursões lideradas pelo Avô, não podia deixar de parte esta Terra do Nunca no livro das memórias. Embora o capítulo sobre a casa do Avô e o seu jardim já esteja delineado, haverá sempre espaço para mais lembranças ou reflexões se estas surgirem. Fica desde já o desafio para todos.

Aproveitei estes dias de férias aqui por SJM para visitar o quintal do Avô Mateus com os meninos. Como habitual, fomos invadidos por aquele sentimento de aventura assim que cruzamos os portões de casa do Avô, tal como se estivéssemos prestes a entrar em território desconhecido. O quintal do Avô sempre cativou os netos pela sua natureza exótica. “Um pequeno jardim secreto que sempre explorávamos com o mesmo entusiasmo e fascínio,” foi como me ocorreu registar no livro a nossa admiração pelo local. Curiosamente, este fascínio parece ter despertado naturalmente nos bisnetos, que sempre se entregam a aventuras e explorações quando lá andam.

Seguindo o ritual antigo dos netos, sondei demoradamente todas as árvores e arbustos à procura dos tão saborosos frutos que o Avô sempre teve no seu quintal. Constantemente na companhia do M & A, procuramos os frutos como se de um tesouro se tratasse. Todo o esforço foi compensado, como sempre, desta vez em deliciosos morangos, amoras, fisális, maças, laranjas e ameixas. Para fugir ao abrasador sol de Agosto, sentei-me com os meninos no alívio da sombra de uma das árvores, onde juntos e descalços fizemos um banquete do fruto da nossa apanha. Da boca da Abi saiu um espontâneo e inocente “obrigado vovô Mateus.” Nada poderia ter sido dito com mais significado. O Avô, tal como as árvores de fruto do seu quintal, continua a deliciar-nos com as suas memórias e os frutos da sua vida.

Esboço feito durante a escrita do primeiro capítulo do livro - Sobre Árvores e Homens.

Esboço feito durante a escrita do primeiro capítulo do livro - Sobre Árvores e Homens.

Por todas as aventuras passadas e presentes neste território tão fantástico, muitas delas em incursões lideradas pelo Avô, não podia deixar de parte esta Terra do Nunca no livro das memórias. Embora o capítulo sobre a casa do Avô e o seu jardim já esteja delineado, haverá sempre espaço para mais lembranças ou reflexões se estas surgirem. Fica desde já o desafio para todos.

O Autor

Um certo e determinado neto em viagem ao passado do seu Avô

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