You are currently browsing the tag archive for the ‘fotos’ tag.

Não estão todos, mas quase. Foi assim numa das noites de Natal em 2007; o Avô Mateus na companhia do Josias, da Abigail, do Misael, do Manelito, da Gabriela, do Rafa, do Bruninho, da Ester, do Santiago, da Beatriz, do Alexandre, da Maria, do Diogo e do Tiago.

Avô Mateus e bisnetos (Natal 2007)

Anúncios

Tio Zé em Terras do Brasil - 5 Março 1957

O Tio Zé fez 90 anos no passado dia 28 de Agosto e este acontecimento singular não podia deixar de ser aqui aclamado. O Tio Zé teve um relacionamento especial com o Avô Mateus durante toda a sua vida, e nem mesmo o vasto Oceano Atlântico, que se intrometeu entre eles quando o tio Zé emigrou para o Brasil em 1952, conseguiu afastá-los. E como as suas vidas estavam ligadas por laços especiais de afecto, é provavelmente a pessoa que mais atenção recebe no livro a seguir ao Avô. São muitas as histórias onde o Tio Zé aparece, estendendo-se desde os primeiros momentos de vida dos dois, até uma manhã de verão austral em 2008, quando tive o privilégio de voltar a reencontrar o Tio e os primos Amadeu e Alda no Rio de Janeiro. O encontro está relatado no livro pelo seu valor e pela evocação da memória do Avô, que tinha partido algumas semanas antes.

O Tio – tal como o Avô – é uma árvore de vida para aqueles que o rodeiam. E foi esta a grande revelação daquele fim de manhã de Novembro.

Por agora fica apenas esta fotografia e algumas palavras do livro que a descrevem.

“Nela alinham vinte e um rostos, distribuídos ao longo de duas fileiras; maior parte deles partilha um sorriso idêntico, muitos seguram uma Bíblia nas mãos como se fosse uma extensão natural do corpo. Entre eles está o rosto sorridente do Irmão Mateus, um homem de aspecto jovial e apelativo. Estão mergulhados numa atmosfera invisível de um sentimento de intemporalidade, como se aquele momento perdido no passado se prolongasse para sempre. Consegue-se sentir o calor daquele dia, e a frescura das águas que abraçaram todos os que nele se baptizaram.”

Elementar meu caro neto,” teria dito o Avô ao filho do seu filho que se lembrou, ao fim deste tempo todo, que talvez fosse uma boa ideia fazer uma procura pelo nome do pai do seu pai na internet.

Ainda não me tinha lembrado desta e admito, com alguma vergonha, que assumi que nada relacionado com o Avô poderia ser encontrado na internet. E talvez seja escusado dizer que errei. Agora a pensar nisso, nem sei porque não escrevi as palavras “Francisco Mateus” num motor de busca e pressionei enter bem mais cedo.

Bem, pior que fazer tarde é não fazer, e eu finalmente fiz. E o resultado?

Comecemos por lembrar que a internet é uma rede de malha muito fina e por isso apanha quase tudo, o que interessa e o que não interessa. E foi muita coisa apareceu ligada ao nome em causa. Deu para perceber imediatamente que o nome não é assim tão incomum no universo lusófono. Mas nestas coisas nunca se pode desistir cedo e a perseverança geralmente paga. E aqui também pagou bem!

Após algum tempo a ler sobre personagens com o nome igual ao do Avô, mas sem qualquer outra semelhança, lá apareceu uma pérola, que afinal de contas tinha sido publicada n’O Regional, um dos jornais locais de S. João da Madeira.

“O Sr. Francisco, como toda gente sabe, é uma pessoa bondosa, de educação cristã. Foi um empresário que proporcionou empregos às famílias são-joanenses. Contribui para o progresso desta terra. Colaborou, durante décadas, com as várias instituições de solidariedade social, com as associações desportivas, culturais e recreativas do concelho, dando importantes donativos, sem se preocupar em saber quais as conotações políticas e religiosas das mesmas. O senhor Francisco Mateus mereceu sempre – e continuará a merecer certamente – o respeito e a admiração dos são-joanenses pela sua bondade, pela sua postura, pela sua rectidão como pessoa de bem e pela grandeza do seu carácter.”

O elogio é rasgado e honesto. E até é melhor do que isso… é verdadeiro. Ter sido um amigo e admirador do Avô a escrever não diminui o seu valor, porque nos dias que correm, nem os amigos escrevem assim sobre os seus amigos, a não ser que estes sejam verdadeiramente excepcionais. Tal como o Avô Mateus.

Estas palavras bem podiam ser um sumário executivo do livro. Talvez até as cite no último capitulo que já estou a escrever. São um olhar isento (ou seja, sem o incontrolável preconceito de um neto que acha que o seu Avô era o maior… e o mais bonito) sobre a pessoa que era o Avô e sobre o seu legado.

O autor do tal elogio rematou-o com uma observação curiosa:

“Talvez por o senhor Francisco Mateus nunca se ter posto em bicos de pés para ser notado, nem ter participado nunca em manifestações de carácter político, se tenham esquecido dele. Mas não todos. Apenas os que são de curta memória.”

E é por isto que estas notícias são escritas, e este blog, e o livro. Para distribuir gratuitamente um antídoto contra a falta de memória.

Obrigado Ade pelas palavras.

Obrigado Avô por as mereceres. Foste o maior (e o mais bonito…)

F. Mateus com uma boa postura (data incerta, lugar incerto com neve)

Do tempo de criança fica connosco uma elementar lição de vida. Tudo que construímos acaba, inevitavelmente, por ser destruído. É uma questão de tempo e das circunstâncias. Na praia construímos castelos de areia com a dedicação e envolvimento de quem está a construir uma coisa para a vida. Depois vem a água, ou o vento, ou o pé descuidado de alguém, ou o pé intencional, e o nosso castelo desaparece. E com ele os nossos sonhos e fantasias. E se não for nenhuma das anteriores, a simples inconsistência dos pequenos grãos de areia fará com que o nosso empreendimento não dure muito.

Crescemos e continuamos a construir castelos com o mesmo empenho, mas vamos percebendo que o que fazemos tem os dias contados, tal como nós.

O Avô Mateus sempre foi um construtor ao longo da sua vida – construiu relacionamentos, vidas, famílias, casas, prédios – e as suas qualidades nesta vocação melhoraram com a idade. E tudo que o construiu foi feito com este conhecimento implícito de que nada que o homem faz é indestrutível e eterno deste lado da vida. Ainda assim, ele construiu para durar.

No jornal da terra saiu a semana passada uma notícia a comunicar que o negócio de família iniciado pelo Avô há mais de meio século enfrenta a eminência de ser finalmente destruído. Da notícia saliento apenas o mais interessante, já que o resto não o merece:

Fundada há mais de 57 anos por Francisco Soares Mateus, a empresa adquire a forma actual em que o património e gestão da ARSOL passou a ser controlada pelos filhos, a partir de 1983. Dedicados à empresa desde muito jovens, os actuais sócios têm participado activamente na sua evolução, cujos aspectos mais marcantes se prendem com a diversão da produção implementada ao longo dos anos. Assim, até 1965, a sua actividade consistiu no fabrico de estores em madeira, altura em que foi introduzida a produção de estores em PVC. Em 1969, a ARSOL iniciou o fabrico e montagem de caixilharia de alumínio e anodização. Finalmente, em 1983, dá-se o arranque para o fabrico de tubos em PVC e acessórios, produtos que vieram a assumir um papel fundamental na expansão dos negócios da empresa.

As obras do homem morrem, mais cedo ou mais tarde, tal como ele. Mas não os frutos da sua vida; esses podem estender-se pela eternidade. E é por isso irrelevante se tudo que o Avô construiu venha a desaparecer, porque o fruto que ele deixou, tecido numa matéria mais consistente do que simples átomos, nunca desaparecerá.

Esqueci-me, deliberadamente, de um pormenor. Ao longo do seu percurso o Avô Mateus aprendeu algo importante. Aquilo que o homem constrói perece com ele; Aquilo que Deus constrói permanece. E por isso o Avô disponibilizou a sua vida para Deus construir através dela.

Pequena oficina onde nasceram os estores ARSOL

Um dos achados mais curiosos na tal visita ao passado em casa da Tia Micaela foi uma fotografia da década de 80. Assim que a vi percebi que teria de ser aqui publicada. Só era preciso um texto em conformidade com o momento.

Um destes dias desafiei um outro neto a escrever uma entrada aqui para o blog. Não dei qualquer sugestão quanto ao tema. O primo aceitou o desafio e escreveu.

A fotografia e o texto contam histórias relacionadas sobre um mesmo tema: as festas com o Avô. Foi mais do que pura coincidência. Foi providência. Aqui seguem ambos.

— ♦ —

As festas em família

Neto André

Uma das memórias que é impossível separar do Avô sempre foi a das festas.

A família desde sempre teve uma agradável aptidão por se reunir, qualquer que fosse a ocasião! Eram aniversários, casamentos ou simples almoços e jantares sem razão aparente, sendo que uma das imagens de marca, sempre foi uma ou duas violas que do nada sempre surgiam.

No entanto um dos momentos altos das reuniões em família, sempre foi o Natal!

Inicialmente a casa do Avô Mateus servia de local privilegiado para tudo acontecer e mais do que a comida, a memória mais remota que guardo, é estarmos na sala de estar da casa, esperando ansiosamente a chegada dos presentes, com o Avô sorridente sentado num dos sofás, divertido sem dúvida pela natural alegria e expectativa dos muitos netos que pululavam pela sala.

Memória de uma das festas de Aniversário do Avô Mateus (algures na década de 80)

O prazer que tínhamos em estarmos juntos, era acompanhado pela satisfação do Avô em ter a família reunida, onde sempre assumia o papel de patriarca, não que ele o impusesse, mas porque simplesmente lhe era inato. Todos nós sentíamos a sua presença como apaziguadora, unificando as várias gerações que se juntavam nesta época tão especial para todos, não só pelo que representa, mas também pela ausência dramática da Avó em outro longínquo Natal.

Foi uma forma diferente de ver um filme, a de sábado à tarde. Não havia a escuridão da sala de cinema ou a mudez da assistência, nem a habitual história ficcionada, romanceada ou simplesmente inventada. A sala estava acesa com a luz que vertia da janela gigante, os meninos corriam e riam por todo o lado, a conversa enchia o ar. O filme, feito de histórias reais que se ligavam em trama apertada no tecido do passado, estava diante dos nossos olhos e ao alcance das nossas mãos, espalhado em cima da grande mesa que servia de tela. Este filme aconteceu, via-se nas centenas de fotografias e outros tantos documentos que falavam aos nossos olhos, através dos factos documentados e com as emoções que emanavam das cartas. Era um filme que jamais algum cinema poderia ter em cartaz.

Vimos este filme no caloroso conforto da sala da tia Micaela. Foi uma tarde magnífica que consumou a promessa de uma visita para revisitar o passado. E foi muita a informação recolhida para o livro nesta tarde. Décadas de história contavam-se à nossa frente nos factos espalhados em certidões de notário, registos, óbitos, escrituras e incontáveis cartas de encorajamento, consolo e de calorosas discussões. Conseguimos desenterrar verdadeiros tesouros de datas, nomes, locais e momentos.

Grande parte dos documentos relacionava-se com a fundação e tempos primordiais do Centro Bíblico e Acampamentos de Esmoriz (CBAE, no seu nome original), e com as controvérsias doutrinárias que eclodiram dentro da Igreja Evangélica de S. João da Madeira, bem no início da década de 70. O papel activo do Avô em ambos os assuntos era evidente nos documentos. Os bons amigos, o Sr. Timóteo e o Sr. Joel, também lá estavam, lado a lado com o Avô, presentes com o mesmo empenho e tenacidade. Curiosamente, também lá estava um outro bom amigo – o Walter Alexandre – igualmente com um papel de relevo.

As fotografias não eram menos cativantes e algumas delas vieram engrossar o lote de imagens coleccionadas para o livro e blog. Entre estas, contam-se algumas particularmente interessantes (e a pedir para serem divulgadas). São imagens que revelam o lado de viajante internacional do Avô, numa visita a Israel em 1979. A evocação do passado distante do Antigo Testamento, tão forte naquelas fotografias, trouxe-me á memória a ancestral bênção sacerdotal do povo de Israel, e que me parece adequada à vida do Avô.

“O Senhor te abençoe e te guarde; Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz.” (Números 6:24-26)

No final daquela tarde fiquei preso às imagens que vi, a pensar nas histórias que contam e naquelas que ocultam. A grande história de uma vida cheia é espantosa; a beleza dos detalhes não é menos impressionante.

Sinto o dever e a responsabilidade de captar parte desse brilho no livro.

P.S. Shalom aleichem – Saudação hebraica que significa “A Paz seja contigo”

Achei que seria adequado compensar a fidelidade dos leitores deste blog com a estimulante notícia de mais um capítulo terminado! Este capítulo demorou a ser escrito mais que o habitual por dois motivos. Em primeiro lugar, pela disponibilidade de tempo; ou da falta dela, para ser mais exacto. Para o finalizar foi necessária a velha estratégia de recorrer à ajuda das horas mais longas da noite. O segundo motivo é bem mais relevante. Este capítulo é central na história, não porque divide o livro em dois hemisférios de igual número de folhas, mas porque descreve o evento mais importante da vida do Avô.

O titulo provisório desta secção – O (Re)Começar da Vida – dá o mote ao que se segue: a narrativa de como aos 28 anos, casado e com dois filhos, o Avô começou a viver. Sem querer avançar muito, ficam aqui algumas linhas, caso algum leitor não saiba ao certo do que se fala.

“…nesta nova vida, o medo de Deus viria a dar lugar ao temor e admiração, a vontade de obedecer à Sua vontade substituiria a obrigação de o fazer, e a esperança na vida eterna esmagaria a incerteza do destino final da alma.”

Entretanto a Linha Temporal aqui no blog foi actualizada e ligeiramente corrigida, tal como um dos capítulos do livro que descreve as nossas aventuras no carro do Avô. Em relação a este, deparei com uma curiosa contradição quando terminei a primeira versão, que já aconteceu há algum tempo, mas ainda assim achei interessante partilhar. Depois de ter escrito um capítulo onde a habilidade do Avô ao volante é exaltada, encontrei a fantástica fotografia que está abaixo, e onde se vê o Avô a tentar tirar o carro de uma vala. Foi um acidente sem precedentes e repetições. É de salientar a postura calma da Avó e o seu olhar curioso. Parece mesmo esboçar o sorriso de quem pensa as triunfantes palavras: “eu avisei…”

 

"Carro na Valeta" - Manobra de Francisco Soares Mateus (circa 1965)

Para aqueles que no Domingo passado perderam a celebração do 51º Aniversário da Igreja Evangélica de Cucujães, fica aqui um pequeno conjunto de imagens que lá foi mostrado. O título deste breve evocar do passado da nossa comunidade foi o tema escolhido para este Domingo, o primeiro de todos os outros deste mês que serão igualmente dedicados á celebração do aniversário. O objectivo deste dia foi recordar aqueles que nos precederam e que estabeleceram as fundações da nossa comunidade. O Rebanho Intemporal é uma alusão a estes e a todos aqueles que em todas as épocas seguiram o Grande Pastor.

Para quem leu a entrada anterior, esta é óbvia. O motivo pelo qual esta comunidade existe, e pelo qual estas linhas estão a ser escritas, é porque o Avô Mateus obedeceu á voz do Espírito e, contra muitas adversidades, deu início a este trabalho que mudou radicalmente a vida de centenas – senão mesmo milhares – de pessoas. Quem já leu outras entradas como Os Bons Amigos, ficará contente por saber que estes estiveram ao lado do Avô desde o primeiro momento neste empreendimento, o que revela o poder do trabalho em comunidade.

“Que o Deus da paz, que ressuscitou Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, selando com o seu sangue a eterna aliança, vos conceda aquilo de que precisam para realizarem a sua vontade.”
(Hebreus 13:2)


Banda sonora: “The Holly and the Ivy” by Andrew Peterson

Os pais do Avô: Ludovina Rosa de Jesus e José Maria Soares Mateus. Fotografia de estúdio tirada em Oliveira de Azeméis (Junho de 1954).

Quando se é pequeno e se olha para um avô que é “velhinho”, é absurdo pensar que ele foi em tempos jovem e teve um pai e uma mãe. Depois vamos crescendo e inevitavelmente descobrimos o axioma central da biologia – toda a gente tem progenitores – e que destrói a nossa visão da natureza sempiterna dos avós.

No caso do Avô Mateus, só tomei consciência disto quando um dia ele me falou dos seus pais. Até aquele momento o Avô era um ser independente sem uma causa primária que o tivesse trazido á existência. Foi uma informação que me causou alguma estranheza inicial, mas que logo foi assimilada. A partir desse momento os pais do Avô nasceram para mim e, aos poucos, foi conhecendo os traços de carácter destes meus familiares distantes. De todas as vezes que o Avô falou deles, foi sempre para os elogiar de alguma forma.

Já aqui falei da mãe do Avô, mas nunca o tinha feito do seu pai. Mas eis que a oportunidade surge para o fazer e por um motivo especial. Um dos comentários da última entrada do blog foi feito por um primo que está no Brasil, e que queria saber se a mãe do Avô tinha o mesmo nome da bisavó dele. E tem! Ludovina Rosa de Jesus é o nome da nossa bisavó e José Maria Soares Mateus o do nosso bisavô. Quando o Avô Mateus nasceu tinham 29 e 33 anos, respectivamente.

Conhecendo o ávido interesse dos leitores do blog pelas imagens nostálgicas de outros tempos, não poderia deixar aqui ficar esta informação sem uma boa fotografia do casal em questão. Mas a coisa ainda fica melhor! Para acompanhar a fotografia fica uma breve, mas objectiva, descrição da natureza de ambos, feita por quem os teve como pais. São excertos retirados do livro autobiográfico escrito em 2004 pelo Tio Zé, que emigrou para o Brasil em 1952, dois anos antes de esta fotografia ter sido tirada.

‘’Meu pai era um homem corajoso, grande lutador pela vida, sem cultura, mas muito responsável e trabalhador. Sua profissão era de carpinteiro. Trabalhava muito para poder sustentar a prole (…) Ele não só lutava, mas também nos deu o exemplo de trabalho e carácter integro (…) Minha mãe era aquela mulher virtuosa, bem comparada a Provérbios 31:10-13; e, com sabedoria, passou para as filhas aquilo que ela era (…) nunca vi brigas entre meu pai e minha mãe, apesar de grandes lutas em tantas dificuldades da vida, na criação de muitos filhos, etc. (…) Meu pai tratava muito bem a minha mãe e carinhosamente a chamava de Bininha.’’

Aos poucos o livro vai avançando, não ao ritmo desejado, mas na cadência estabelecida por uma vida cheia de outras tantas coisas para fazer. O final está à vista e esta visão é, ao mesmo tempo, frustrante e motivadora. Não faço promessas mas deixo uma declaração de intenção – a de finalizar os capítulos em falta até ao fim de Março. Começa a contar já…

Ritmo lento não significa falta de investimento no projecto, e por isso ficam aqui duas grandes descobertas recentes (uma vez mais do fantástico espólio compilado pelo Tio Josias). São fotografias de família tiradas durante a década de 60. Na primeira, tirada em casa do Avô no seu aniversário a 29 de Setembro de 1965, estão em falta o Tio Manuel e o Tio Joaquim, que na altura estavam na guerra no Ultramar. Na segunda, tirada em estúdio a data incerta, está a família completa. Ou quase… Um olhar atento revela que o Tio Manuel (estrategicamente situado entre o Avô e a Avó) tem as proporções ligeiramente exageradas. E isto porque na altura ainda estava no Ultramar e a sua imagem foi adicionada à fotografia original. Está quase perfeito, o que para uma época em que tudo se fazia à mão e a olho, revela um trabalho excelente.

Espero que apreciem. São duas jóias familiares. Talvez acabem ambas no livro.

Festa de aniversário na casa do Avô Mateus (da esquerda para a direita: Daniel, Sara, Avô Mateus, Avó Eugénia, David, Lídia, Filipe e Josias)

Família Mateus na década de 60 (da esquerda para a direita; fila de trás: David, Joaquim, Avô Mateus, Manuel, Avó Eugénia e Daniel; fila da frente: Josias, Filipe, Lídia e Sara)

Embora o início da nova estação seja hoje marcado pelo solstício de Inverno, o frio e chuva já a vem anunciando faz algum tempo. É nestes dias cinzentos e tristes que emergem as memórias da estação quente e dos seus longos dias de sol. Foi no espírito destas lembranças que finalizei mais um capítulo do livro, talvez um dos que mais demorou a ser redigido. Comecei a escrevê-lo no auge do Verão passado, sentado numa cama de uma das camaratas do Centro Bíblico de Esmoriz, banhado por um sol glorioso e refrescado pelo vento de norte que invadia o espaço.

As ideias iniciais foram amadurecendo durante os meses que passaram e, aos poucos, foi surgindo uma ligação evidente entre o Avô Mateus e as memórias (quase perfeitas) que guardo das semanas de acampamento dos verões passados naquele local. Numa aproximação mais elementar, pode-se dizer que estas memórias só existem por causa do trabalho do Avô e alguns amigos. Foram eles que em 1967 iniciaram a construção do acampamento, certamente com uma clara visão do futuro, mas ainda assim longe de imaginar o verdadeiro impacto que teria na vida de milhares de pessoas.

Este foi um dos capítulos que mais prazer deu escrever, ainda que não tenha sido o mais fácil. Descobrir o papel do Avô Mateus na construção do CBE e na sua manutenção ao longo de décadas foi uma descoberta tardia para mim e para os primos. Mas foi certamente uma das mais incríveis. Esta é talvez a obra do Avô que mais orgulho me dá.

O Avô Mateus fez uma casa na praia, não para si ou para os seus. Fê-la para todos. Por isso dei a este capítulo o sugestivo nome de “Uma Casa na Praia.”

Obras de construção do Centro Bíblico de Esmoriz

Dias cinzentos e frios trazem á memória outros dias… dias de calor e sol de um passado distante, de momentos que não vivemos, mas que ainda assim evocamos.

A recordação pode ser a preto e branco, mas a luz não deixa de ser irrepreensível. Faz lembrar os verões perfeitos e a alegria neles contida. O sorriso é momentâneo e intemporal, como se aquele instante nunca tivesse fim; Como se a vida fosse só um prelúdio para uma outra infinitamente mais perfeita e abundante; Como se viver o momento e ser feliz por ele fosse uma expressão de gratidão pela eternidade esperada.

Esta fotografia veio no meio de outras tantas descobertas recentemente. Foi tirada num dia de sol e calor, com os Avós no calor da vida. É perfeita.

Um dia de sol e calor na Ria de Aveiro

Faz amanhã um ano que o Avô Mateus partiu e para o lembrar, um dos netos juntou algumas imagens e publicou no seu blog. Vale a pena ver e ouvir…

http://3-acontaquealguemfez.blogspot.com/2009/11/memorias-do-avo-mateus.html

avo_eugenia_jovem

Se ainda estivesse entre nós, a Avó Eugénia celebraria hoje 90 anos numa festa partilhada com um dos filhos, o Tio David. Infelizmente, a Avó partiu no ano do seu 50º aniversário, pelo que faz hoje também 40 anos desde o dia que celebrou o seu último aniversário.

As referências à Avó Eugénia têm sido frequentes no decurso da escrita do livro. Embora ela tenha desaparecido cedo, manteve-se de alguma forma presente na vida do Avô até ao fim dos seus dias. Apesar das tentativas, ainda não consegui agregar um relato suficientemente organizado da vida do Avô Mateus ao lado da Avó. A falta de informação tem-me levado a desenhar com a imaginação os espaços deixados em branco pela falta de factos.

Por vezes imagino como teria sido a vida da nossa família se ela tivesse ficado ao lado do Avô por mais tempo. A minha maior interrogação, no entanto, está em saber como teria sido a relação entre os netos e a Avó. Sendo impossível de determinar, não é de todo impossível imaginar que teria sido uma experiência incrível. Disso não há a menor dúvida.

Às vezes sonho como seria entrar na cozinha do Avô e encontrá-lo lá com a Avó a cozinhar, receber deles os calorosos beijos de avós, sentar-me à mesa a comer ao seu lado, e sentir o olhar intenso que só as avós fazem quando os netos se deliciarem com a sua comida.

Olhando agora para trás e lembrando o nosso relacionamento com o Avô, é evidente que ele se esforçou por compensar a falta da Avó, dando-nos o amor e o afecto que teríamos encontrado nela.

A avaliar pelas recordações que ficaram, a Avó foi uma pessoa distinta em muitos aspectos, na sua simplicidade, beleza, simpatia mas, acima de tudo, na sua entrega aos outros. Dizem que era um exemplo de amor – uma manifestação simples e pura do amor de Deus.

As saudades de quem a conheceu devem ser imensas. Pelo menos a julgar pelas saudades de quem nunca a conheceu…

mateus_jovem
Como prometido há umas semanas atrás, serão aqui afixadas algumas fotografias que andavam escondidas à espera de serem descobertas. A primeira destas é uma fotografia do Avô Mateus muito jovem com um penteado de vanguarda. Não sei se por esta altura já teria experiência nas artes de barbeiro, profissão que exerceu em alguma altura da sua vida. Pelo menos a barba e o cabelo estão irrepreensivelmente compostos. Ele deve ter aprendido bem esse ofício porque, mesmo depois dos 80, ainda fazia a barba à navalha com uma destreza tal, que impressionava sempre o neto adolescente (que imóvel ficava a contemplar a proeza).

Entretanto chegaram do Brasil mais novidades pelas mãos da prima Alda, desta vez as alcunhas do Avô Mateus, dos seus irmãos e dos pais. Apesar da avançada idade, a Tia Micas ainda conseguiu lembrar grande parte delas. Pelo seu significado histórico familiar fica aqui a menção.

Pai – Zé da Volta • Mãe – Broa • Micas (Maria Augusta) – Gordalhufa • Adelaide – Laida • Margarida – Canoca e Choradeira da Eça • Deolinda – Linda • Emília – Sardona (a mulher do Sardão) • Albino – Açafate e Fogaça • Adriano – Rabanada e Abelha • José Maria – Patachão e Dois Garfos (porque comia com dois garfos) • Amadeu – Marreco

Para finalizar, a tão esperada alcunha do Avô Mateus. Era duas, na verdade, nenhuma lisonjeira: Maciinho e Burrico. Desconheço a origem de ambas e se foram apenas utilizadas em alguma época específica da vida do Avô. A escolha de diminutivos confere, ao mesmo tempo, um certo ar carinhoso e caricato, sugerindo que os nomes foram escolhidos com algum amor.

Não deixa de ser interessante, no entanto, a escolha do Burrico para alcunhar o Avô. Talvez tenha sido a sua teimosia – que ele reconhecia como um das suas principais falhas – a inspirar este sobrenome. Teimosia, determinação, perseverança ou firmeza, é impossível dizer ao certo quando uma disposição dava lugar a outra. Pelo menos uma coisa é certa… de burrico não parecia ter muito. A sua esperteza levou-o longe na sua carreira profissional e em tudo o resto.

Como nota pessoal, acho uma ironia a pessoa mais sabia que conheci ter a alcunha de Burrico. Até nisto a pessoa do Avô está rodeada de humor.

Nota adicional: Entretanto o Tio Zé lembrou mais uma curiosa alcunha do Avô Mateus: Lambarico.

As últimas semanas foram particularmente proveitosas no que toca a novas imagens do Avô, não tanto pelo número de novas fotografias encontradas, mas pelo seu significado e idade. As mais interessantes serão aqui apresentadas em breve, juntamente com um pequeno (ou não-tão-pequeno) comentário. Juntam-se a este lote algumas imagens recentes enviadas pela Prima Alda que, no seu esforço incansável de contribuir para este projecto, conseguiu uma vez mais surpreender com as suas fotografias. E é neste contexto que decidi escrever estas linhas.

Neste novo conjunto houve uma fotografia muito especial que me lembrou o humor e boa disposição do Avô Mateus. É um raro momento de diversão que revela a sua habitual boa disposição e apetência para o divertimento. Nesta imagem, tirada durante um momento de descontracção em casa da neta Daniela, o Avô está com o seu “sorriso de marca” e com a sua habitual postura descontraída. O detalhe precioso da fotografia é garrafa de cerveja na mão do Avô, que sugere que foi apanhado a beber em flagrante enquanto assistia à bola, confortavelmente sentado no sofá. Nota-se que o Avô alinhou na brincadeira e isso torna tudo mais interessante. A imagem pode chocar os mais cinzentos, mas a vida é mesmo assim.

Um momento descontraído em casa da neta Daniela (4 de Julho de 2006)

Um momento descontraído em casa da neta Daniela (4 de Julho de 2006)

Sem querer avançar muito nestas matérias, uma vez que no livro recebem a devida atenção, não posso deixar de salientar que o sorriso natural – que definia os traços faciais do Avô – e a sua boa disposição, resultavam de uma mistura de um coração alegre e uma liberdade de preconceitos sobre a sua imagem e sobre o que os outros poderiam pensar dele. Como o Avô sempre dizia, o que importa é agradar a Deus, não aos homens. Com a sua maneira de estar na vida, o Avô mostrava que Deus não tem a natureza cinzenta e aborrecida que geralmente lhe é atribuída.

O seu “sorriso de marca”, a sua habitual boa disposição e o seu humor inigualável são um dos temas centrais do livro, reemergindo um pouco por todo o lado ao longo da narrativa. Alguns capítulos lidam exclusivamente com esta faceta do Avô e com várias histórias a ela ligadas, algumas delas em episódios pessoais, outras em acontecimentos que envolvem várias pessoas (quase sempre os netos, porque era junto destes que o Avô permitia que o seu bom humor andasse completamente livre).

Por agora fica a imagem e a calorosa lembrança do sorriso do Avô e da sua alegria contagiante.

“Um rosto alegre traduz a felicidade dum coração.”
(Provérbios 15:13)

2008_avo_biggi

Esta fotografia, tirada o ano passado no dia de aniversário do Avô, captou o raro momento de alegria absoluta que acontece quando o amor explode e une dois corações distanciados 90 anos.  Mais tarde, ao ver as fotografias daquele dia, percebi que o Avô Mateus ainda teve a invulgar oportunidade de se apaixonar no fim do seu tempo. Apaixonou-se por todos os bisnetos e fez questão de viver e mostrar esse amor.

Para lembrar esse amor, escrevi um curto capítulo designado de Amores de última hora, uma débil tentativa de cristalizar essas manifestações de afecto.

mateus_timetravel

Duas novas fotografias fazem agora parte do arquivo de imagens do Avô. A simples satisfação de as ter conseguido faz-me colocá-las aqui para todos verem, mas não sem uma pequena nota sobre elas.

A mais recente foi recolhida do escritório do meu pai, onde sempre esteve à vista de todos desde o Natal de 2005, quando o Avô ofereceu uma igual a todos os filhos. Curiosamente, só agora me lembrei que seria uma boa imagem para adicionar ao blog e, posteriormente, ao livro. Apesar de ter sido um presente dado em 2005, a fotografia deve ter sido tirada no final da década de 90.

A mais antiga já me era familiar. Desde sempre esteve na sala de casa do Avô, cuidadosamente colocada ao lado de uma fotografia da Avó Eugénia, em molduras gémeas. As fotografias, tiradas talvez na década de 40, conseguiram captar a beleza e amor que brilham nas suas caras. A fotografia da Avó já a tinha conseguido através do vasto espólio fotográfico compilado pelo Tio Josias, mas não a do Avô.

Cada vez que olhava para a fotografia sabia que a tinha que incluir no livro. E então, num qualquer dia das últimas semanas, numa ocasião propícia, aproveitando uma visita inocente a casa do Avô, subi ao andar de cima e, sem qualquer gesto suspeito, removi a fotografia da moldura e trouxe-a comigo. Foi uma espécie de furto muito pouco qualificado, mas por uma muito boa causa. Prometo devolvê-la agora que a digitalizei.

É sempre bom quando alguém partilha uma história nova sobre o Avô, revela um detalhe desconhecido até ao momento, ou relembra uma informação entretanto esquecida. Mas a maior surpresa acontece quando, inesperadamente, surge uma fotografia de “outros tempos” desconhecida até aí.

E foi isso que aconteceu ontem, quando recebi por email um par de fotografia enviadas pela prima Alda, que vive mesmo ao lado do Tio Zé no Rio de Janeiro. As fotografias são antigas, e uma delas (em baixo) é provavelmente a mais antiga fotografia do Avô Mateus que consegui encontrar até agora.

A fotografia foi tirada à porta de um “salão protestante,” o equivalente na altura à designação actual de “igreja protestante.” A data é incerta mas, a calcular pelos relatos do livro do Tio Zé (já aqui falado), deve ter sido tirada entre 1943 e 1945. Pela longa chaminé que se vê no lado esquerdo da fotografia, não é difícil perceber que se trata de S. João da Madeira. No meio da multidão é difícil encontrar o Avô Mateus e eu próprio não consigo identificá-lo com certeza. Mas ele está lá e a prima Alda sugere que é o rapaz que se vê em pé quase no meio da fotografia, mesmo em frente à porta, de fato escuro e gravata clara. As feições do rosto e o penteado assim o sugerem. É também possível ver o Tio Zé, cuja forte presença parece dominar a fotografia. É o primeiro “moço” ajoelhado à direita na fila da frente.

Obrigado Alda por esta janela para o passado. É um tesouro.

Á porta de um "salão protestante" (S. João da Madeira, 1943 - 45?)

À porta de um "salão protestante" (S. João da Madeira, 1943 - 45?)

Durante o mês de Agosto encontrei algo especial na minha caixa de correio – uma carta da Sociedade Bíblica de Portugal, assinada por um bom amigo, com um certificado de participação no Projecto A Bíblia Manuscrita em 2004. Como eu, milhares de pessoas receberam uma carta semelhante. Aparentemente, esta ocorrência em pleno mês de férias nenhuma relação parece ter com o Avô Mateus. Mas assim não é. Talvez poucos ainda se lembrem, mas a imagem do Avô Mateus foi utilizada na campanha de divulgação do evento. Não deixa de ser curioso que, alguém que tanto amor tinha pela Palavra de Deus, acabasse por dar a cara por ela.

Seria impensável falar do Avô omitindo esta faceta da sua personalidade. Foi seguramente uma das mais importantes, senão a mais importante. O seu conhecimento das escrituras era admirável e, entre outras coisas, sabia de memórias inúmeras passagens. A sua sabedoria nasceu e crescia das longas horas que passava a ler a Bíblia.

O que começou por ser um capítulo do livro com apenas algumas anotações sobre a relação do Avô com a Palavra, acabou por se transformar num dos mais extensos escritos até agora, o que em si é revelador da importância deste sentimento do Avô. Aos poucos, durante a escrita, umas recordações foram dando lugar a outras, acabando numa torrente de memórias em torno do amor do Avô pela Palavra. De uma forma natural, o capítulo ficou com o nome “O Amor pela Palavra.” Ainda há muito a acrescentar ao que já está escrito e, como tudo o resto no livro, este segmento fica á espera de contribuições.

Fotografia do Avô Mateus utilizada em 2004 na campanha publicitária do projecto nacional A Bíblia Manuscrita.

Fotografia do Avô Mateus utilizada em 2004 na campanha de divulgação do projecto nacional A Bíblia Manuscrita (© R. Mateus)

Baptismo da Bisavó Ludovina Rosa de Jesus, mãe do Avô Mateus (Rio Vouga, Cacia)

Baptismo da Bisavó Ludovina Rosa de Jesus, mãe do Avô Mateus (Rio Vouga, Cacia, 1965)

Provavelmente muitos já tenham esquecido, mas um dos momentos mais emocionantes da vida do Avô Mateus está registado nesta fotografia. Não podia, portanto, deixar de mostrar aqui uma raridade de tamanha importância. Esta fotografia foi tirada no exacto momento em que a sua mãe, Ludovina Rosa de Jesus, imergiu das águas após o seu baptismo. A Bisavó Ludovina tinha então uma idade a rondar os 90 anos e quase igual número de quilos. O peso e a idade, ou a combinação dos dois, não tinham sido impedimento, um pormenor que o Avô sempre enfatizava.

O Avô falava deste momento com uma comoção tal que os seus olhos brilhavam pelas lágrimas de alegria que facilmente afloravam. Foi o culminar de uma vida que, próxima do seu desfecho, se rendeu ao amor de Deus. Durante décadas, o Avô esperou que este momento e orou fervorosamente para o poder testemunhar.

Esta é uma das duas fotografias que o Avô mais vezes me mostrou e sobre as quais mais falava. A outra será aqui apresentada em breve.

A013

A Família Mateus

Ter máquina fotográfica era noutros tempos um privilégio, mas ainda assim existe um número significativo de fotografias do Avô. O ano em que foram tiradas e, em alguns casos o local, está para ser determinado. Se é que tal tarefa seja ainda possível. Muitos rostos estão sem identidade, outros são facilmente reconhecidos. Vaguear por estas janelas do passado tem sido uma excursão a outras épocas – os tempos do Avô, – que leva invariavelmente a mais perguntas que respostas.
O tom sépia e os contornos ligeiramente indefinidos acrescentam uma certa patina de nostalgia a estas imagens, cativando o nosso olhar e levando a imaginação a divagar pelo enquadramento distante daqueles momentos. Muitas destas imagens estão já incluídas no livro para ajudar os leitores a esboçar os contornos de algumas das histórias relatadas. Afortunadamente, tal só é possível devido ao esforço incansável de um dos filhos d’O Mateus, o Tio Josias, que ao longo de anos foi passando estas imagens para suporte digital. O resultado deste trabalho é um arquivo de imagens impressionante. O Avô chegou mesmo a estar presente em algumas das sessões deste trabalho, sentado em silêncio ao lodo do tio sempre com muita paciência e curiosidade.
Se algum dos nossos leitores conseguir olhar para qualquer das imagens que por aqui vão estar e dizer algo sobre o momento, o local ou as pessoas, estará a fornecer informação privilegiada e, acima de tudo, necessária. Infelizmente não haverá espaço no livro para todas as imagens, nem tão pouco para as mais interessantes. Mas as incluídas despertarão a imaginação e a memória.
Um comentário recente de um dos netos rotula as fotografias do blog como “deliciosas.” No livro aparecerão como deliciosas janelas para o passado. Começo a pensar seriamente em disponibilizar estas imagens para todos através de um arquivo online.

Para um tempo em que ter maquina fotográfica era um previlégio, não deixa de ser interessante o número significativo de fotografias do Avô tiradas ao longo da sua vida. O ano em que foram tiradas e, em alguns casos o local, está para ser determinado. Se é que tal tarefa seja ainda possível. Muitos rostos estão sem identidade, outros são facilmente reconhecidos. Vaguear por estas janelas do passado tem sido uma excursão a outras épocas – os tempos do Avô, – que leva invariavelmente a mais perguntas que respostas.

O tom sépia e os contornos ligeiramente indefinidos acrescentam uma certa patina de nostalgia a estas imagens, cativando o nosso olhar e levando a imaginação a divagar pelo enquadramento distante daqueles momentos. Muitas destas imagens estão já incluídas no livro para ajudar os leitores a esboçar os contornos de algumas das histórias relatadas. Afortunadamente, tal só é possível devido ao esforço incansável de um dos filhos d’O Mateus, o Tio Josias, que ao longo de anos foi passando estas imagens para suporte digital. O resultado deste trabalho é um arquivo de imagens impressionante. O Avô chegou mesmo a estar presente em algumas das sessões deste trabalho, sentado em silêncio ao lodo do tio sempre com muita paciência e curiosidade.

Se algum dos nossos leitores conseguir olhar para qualquer das imagens que por aqui vão estar e dizer algo sobre o momento, o local ou as pessoas, estará a fornecer informação privilegiada e, acima de tudo, necessária. Infelizmente não haverá espaço no livro para todas as imagens, nem tão pouco para as mais interessantes. Mas as incluídas despertarão a imaginação e a memória.

Um comentário recente de um dos netos rotula as fotografias do blog como “deliciosas.” No livro aparecerão como deliciosas janelas para o passado. Começo a pensar seriamente em disponibilizar estas imagens para todos através de um arquivo online.

FOTOS ANTIGAS 004

Os bons amigos: o Sr. Joel (esquerda), o Avô (centro) e o Sr. Timóteo (direita)

Dei com esta fotografia do Avô na companhia de dois (bons) amigos de longa data: o Sr. Joel e o Sr. Timóteo. A postura dos três revela uma amizade genuína. Esta imagem ajudou-me a materializar a ideia que o Avô foi em tempos jovem, com tudo o que isso implica. Muitas das amizades que se estenderam até ao fim da sua vida foram forjadas nesta fase da sua vida.

Gostava de saber mais sobre estas amizades e sobre a sua dinâmica. Seria bom apurar mais nomes e as histórias ou momentos a ligá-los ao Avô. Fica a sugestão para os leitores…

FOTOS ANTIGAS 013

Francisco Mateus algures no passado

Escrever um livro é uma tarefa motivadora quando o tema é interessante. Se o tema é fascinante, a tarefa torna-se quase sublime.  E temas fascinantes não faltam quando se fala de alguém com um carácter singular como Francisco Soares Mateus, mais conhecido por Avô Mateus, mas igualmente reconhecido como Sr. Mateus, Irmão Mateus, ou simplesmente O Mateus.

Sabendo do interesse de muitos amigos e familiares em preservar a sua memória, este blog pretende manter os futuros leitores a par do progresso da escrita do livro de memórias e, ao mesmo tempo, envolvê-los no processo de escrita, através da partilha de todo o tipo de informação sobre O Mateus.

O livro será uma colecção de histórias e memórias de alguém que se destacou como pessoa, amigo, pai, avô, irmão e, mais importante, como servo de Deus. A ideia do livro, assim como o seu título – Uma Árvore de Vida – nasceu no dia em que um neto se cruzou, não por acaso, com uma frase do livro de Provérbios no Antigo Testamento: ”Os que seguem Deus são como uma árvore de vida.” Num momento de rara lucidez, percebeu imediatamente que o seu Avô era uma dessas árvores.

Um álbum de memórias é uma melhor definição para este trabalho do que propriamente um livro. Entre inúmeras alusões ao passado do Avô Mateus (como é apresentado ao longo do livro), são as histórias, muitas delas de momentos pessoais Avô-neto(s), que mais se destacam.

Todos os comentários às mensagens adicionadas ao blog são bem-vindos, especialmente se relembrarem o passado d’O Mateus.

O Autor

Um certo e determinado neto em viagem ao passado do seu Avô

Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 5 outros seguidores

Categorias das mensagens

Blog Stats

  • 12,029 visitas