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Não estão todos, mas quase. Foi assim numa das noites de Natal em 2007; o Avô Mateus na companhia do Josias, da Abigail, do Misael, do Manelito, da Gabriela, do Rafa, do Bruninho, da Ester, do Santiago, da Beatriz, do Alexandre, da Maria, do Diogo e do Tiago.

Avô Mateus e bisnetos (Natal 2007)

Tio Zé em Terras do Brasil - 5 Março 1957

O Tio Zé fez 90 anos no passado dia 28 de Agosto e este acontecimento singular não podia deixar de ser aqui aclamado. O Tio Zé teve um relacionamento especial com o Avô Mateus durante toda a sua vida, e nem mesmo o vasto Oceano Atlântico, que se intrometeu entre eles quando o tio Zé emigrou para o Brasil em 1952, conseguiu afastá-los. E como as suas vidas estavam ligadas por laços especiais de afecto, é provavelmente a pessoa que mais atenção recebe no livro a seguir ao Avô. São muitas as histórias onde o Tio Zé aparece, estendendo-se desde os primeiros momentos de vida dos dois, até uma manhã de verão austral em 2008, quando tive o privilégio de voltar a reencontrar o Tio e os primos Amadeu e Alda no Rio de Janeiro. O encontro está relatado no livro pelo seu valor e pela evocação da memória do Avô, que tinha partido algumas semanas antes.

O Tio – tal como o Avô – é uma árvore de vida para aqueles que o rodeiam. E foi esta a grande revelação daquele fim de manhã de Novembro.

Não há terreno mais fértil que a narrativa pessoal para quem procura traçar o rumo dos dias passados de uma vida consumada. É a palavra da pessoa que fala mais alto, mesmo que a sua voz tenha há muito emudecido. Sem um legado de diários, livro de memórias ou outras anotações passageiras e intemporais, restam pequenos fragmentos de dias vividos, anotados aqui e acolá, a propósito ou sem ele, para um qualquer fim mais ou menos trivial. Para quem quer trilhar o rumo de outra vida, não há melhor mapa que aquele desenhado por quem a viveu; por quem aqui passou e falou de si. Não é por ser um testemunho mais verdadeiro, mas por nele estar a verdade de uma história mais pessoal e íntima – mais real.

Já aqui tenho contado histórias de pequenos instantes que aparecem do nada só para desvendar alguns detalhes da complexa história do Avô Mateus: fotografias, documentos, pequenas anotações pessoais… Apesar da constante procura por estes fragmentos, eles tem vindo á superfície do oceano do tempo ao seu próprio ritmo, obedecendo a uma cadência oculta e oportuna.

Há vários meses que sabia que o Avô Mateus tinha a dada altura escrito uma carta dirigida aos filhos num contexto pouco claro, com vários elementos auto-biográficos. Sabia esta seria uma das principais peças no mosaico de fragmentos que compõem o mapa do tesouro que é a vida do Avô. Procurei, perguntei, ansiei… sempre sem resultado. Cheguei ao ponto de desistir encontrar aquilo que eu assumia ser a mais importante das descobertas na escrita do livro. E depois disso desisti mesmo, mas sem nunca conseguir sossegar aquela pequena voz que diz que tudo acontece no momento certo.

Desisti até ao momento certo chegar, quando o primo Ricardo me telefonou a perguntar se eu tinha interesse numa carta que ele tinha encontrado no meio de uns documentos; uma carta escrita pelo Avô e dirigida aos filhos. Assim do nada, quando já não esperava nada mais, em perfeita harmonia com tudo o resto que tem acontecido na escrita deste livro, veio á superfície o maior de todos os fragmentos. Esta é mesmo a grande descoberta! E no seguimento do que já tem acontecido antes, foi feita por um dos muitos interessados na história do Avô.

É mais importante o conteúdo da carta do que posso agora aqui mencionar. O porque do Avô ter escrito esta carta apenas será incidentalmente aflorado no livro. Nela o Avô verteu momentos do seu passado ao longo de 55 pequenos parágrafos. Alguns deles permanecerão ocultos, mas grande parte será transcrita no livro. Curiosamente, tinha optado por dedicar um dos capítulos ao percurso profissional do Avô numa espécie de sumário executivo, pelo que o conteúdo desta carta será um complemento perfeito. A quantidade de informação é avassaladora, e é particularmente interessante recebê-la das mãos do Avô ao fim deste tempo todo.

Mesmo perto do final do livro, parece que a última palavra é mesmo a do Avô…

Um dos achados mais curiosos na tal visita ao passado em casa da Tia Micaela foi uma fotografia da década de 80. Assim que a vi percebi que teria de ser aqui publicada. Só era preciso um texto em conformidade com o momento.

Um destes dias desafiei um outro neto a escrever uma entrada aqui para o blog. Não dei qualquer sugestão quanto ao tema. O primo aceitou o desafio e escreveu.

A fotografia e o texto contam histórias relacionadas sobre um mesmo tema: as festas com o Avô. Foi mais do que pura coincidência. Foi providência. Aqui seguem ambos.

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As festas em família

Neto André

Uma das memórias que é impossível separar do Avô sempre foi a das festas.

A família desde sempre teve uma agradável aptidão por se reunir, qualquer que fosse a ocasião! Eram aniversários, casamentos ou simples almoços e jantares sem razão aparente, sendo que uma das imagens de marca, sempre foi uma ou duas violas que do nada sempre surgiam.

No entanto um dos momentos altos das reuniões em família, sempre foi o Natal!

Inicialmente a casa do Avô Mateus servia de local privilegiado para tudo acontecer e mais do que a comida, a memória mais remota que guardo, é estarmos na sala de estar da casa, esperando ansiosamente a chegada dos presentes, com o Avô sorridente sentado num dos sofás, divertido sem dúvida pela natural alegria e expectativa dos muitos netos que pululavam pela sala.

Memória de uma das festas de Aniversário do Avô Mateus (algures na década de 80)

O prazer que tínhamos em estarmos juntos, era acompanhado pela satisfação do Avô em ter a família reunida, onde sempre assumia o papel de patriarca, não que ele o impusesse, mas porque simplesmente lhe era inato. Todos nós sentíamos a sua presença como apaziguadora, unificando as várias gerações que se juntavam nesta época tão especial para todos, não só pelo que representa, mas também pela ausência dramática da Avó em outro longínquo Natal.

Os pais do Avô: Ludovina Rosa de Jesus e José Maria Soares Mateus. Fotografia de estúdio tirada em Oliveira de Azeméis (Junho de 1954).

Quando se é pequeno e se olha para um avô que é “velhinho”, é absurdo pensar que ele foi em tempos jovem e teve um pai e uma mãe. Depois vamos crescendo e inevitavelmente descobrimos o axioma central da biologia – toda a gente tem progenitores – e que destrói a nossa visão da natureza sempiterna dos avós.

No caso do Avô Mateus, só tomei consciência disto quando um dia ele me falou dos seus pais. Até aquele momento o Avô era um ser independente sem uma causa primária que o tivesse trazido á existência. Foi uma informação que me causou alguma estranheza inicial, mas que logo foi assimilada. A partir desse momento os pais do Avô nasceram para mim e, aos poucos, foi conhecendo os traços de carácter destes meus familiares distantes. De todas as vezes que o Avô falou deles, foi sempre para os elogiar de alguma forma.

Já aqui falei da mãe do Avô, mas nunca o tinha feito do seu pai. Mas eis que a oportunidade surge para o fazer e por um motivo especial. Um dos comentários da última entrada do blog foi feito por um primo que está no Brasil, e que queria saber se a mãe do Avô tinha o mesmo nome da bisavó dele. E tem! Ludovina Rosa de Jesus é o nome da nossa bisavó e José Maria Soares Mateus o do nosso bisavô. Quando o Avô Mateus nasceu tinham 29 e 33 anos, respectivamente.

Conhecendo o ávido interesse dos leitores do blog pelas imagens nostálgicas de outros tempos, não poderia deixar aqui ficar esta informação sem uma boa fotografia do casal em questão. Mas a coisa ainda fica melhor! Para acompanhar a fotografia fica uma breve, mas objectiva, descrição da natureza de ambos, feita por quem os teve como pais. São excertos retirados do livro autobiográfico escrito em 2004 pelo Tio Zé, que emigrou para o Brasil em 1952, dois anos antes de esta fotografia ter sido tirada.

‘’Meu pai era um homem corajoso, grande lutador pela vida, sem cultura, mas muito responsável e trabalhador. Sua profissão era de carpinteiro. Trabalhava muito para poder sustentar a prole (…) Ele não só lutava, mas também nos deu o exemplo de trabalho e carácter integro (…) Minha mãe era aquela mulher virtuosa, bem comparada a Provérbios 31:10-13; e, com sabedoria, passou para as filhas aquilo que ela era (…) nunca vi brigas entre meu pai e minha mãe, apesar de grandes lutas em tantas dificuldades da vida, na criação de muitos filhos, etc. (…) Meu pai tratava muito bem a minha mãe e carinhosamente a chamava de Bininha.’’

Aos poucos o livro vai avançando, não ao ritmo desejado, mas na cadência estabelecida por uma vida cheia de outras tantas coisas para fazer. O final está à vista e esta visão é, ao mesmo tempo, frustrante e motivadora. Não faço promessas mas deixo uma declaração de intenção – a de finalizar os capítulos em falta até ao fim de Março. Começa a contar já…

Ritmo lento não significa falta de investimento no projecto, e por isso ficam aqui duas grandes descobertas recentes (uma vez mais do fantástico espólio compilado pelo Tio Josias). São fotografias de família tiradas durante a década de 60. Na primeira, tirada em casa do Avô no seu aniversário a 29 de Setembro de 1965, estão em falta o Tio Manuel e o Tio Joaquim, que na altura estavam na guerra no Ultramar. Na segunda, tirada em estúdio a data incerta, está a família completa. Ou quase… Um olhar atento revela que o Tio Manuel (estrategicamente situado entre o Avô e a Avó) tem as proporções ligeiramente exageradas. E isto porque na altura ainda estava no Ultramar e a sua imagem foi adicionada à fotografia original. Está quase perfeito, o que para uma época em que tudo se fazia à mão e a olho, revela um trabalho excelente.

Espero que apreciem. São duas jóias familiares. Talvez acabem ambas no livro.

Festa de aniversário na casa do Avô Mateus (da esquerda para a direita: Daniel, Sara, Avô Mateus, Avó Eugénia, David, Lídia, Filipe e Josias)

Família Mateus na década de 60 (da esquerda para a direita; fila de trás: David, Joaquim, Avô Mateus, Manuel, Avó Eugénia e Daniel; fila da frente: Josias, Filipe, Lídia e Sara)

O Autor

Um certo e determinado neto em viagem ao passado do seu Avô

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