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Durante os últimos tempos escrevo sobre o percurso inicial do Avô Mateus depois da sua loucura de entrar num “Salão protestante” e, imaginem só a alienação, se ter tornado protestante. São muitas as histórias em torno desta aventura, e ainda mais sobre as suas implicações, mas isso é matéria de livro.

Um dos aspectos que mais me tem atraído neste início de percurso é o envolvimento do Avô com outras pessoas de igual mente e espírito, em especial os que viriam a ser os bons amigos. Ainda não consegui muita informação de como vieram a conhecer-se e como o seu percurso foi trilhado em conjunto daí para a frente.

Tenho procurado mas não encontrado. E é aqui que tudo se torna mais interessante. Não encontro o que quero, mas encontro o que não espero. Um destes dias folheava um caderno de notas mais antigo e, inesperadamente – como tanta coisa no percurso da escrita deste livro -, encontrei uma folha subtraída a uma agenda com uma referência a um destes amigos do Avô, o Sr. Timóteo.

A página assinala o dia 23 de Janeiro de 1998 e contém unicamente uma curta frase:

O Sr. Timóteo já está com Adonai

Do resto da agenda não sei. Nem quis saber no final de 1998. Guardei apenas esta página porque numa linha apenas estava registada a coisa mais significativa daquele ano. Na altura não conhecia ainda as histórias partilhadas entre o Avô Mateus e o Sr. Timóteo, mas este era já um bom amigo, contra todas as probabilidades impostas pela significativa diferença de idades entra nós. Agora sei que na preocupação e interesse que ele demonstrava, por mim e os primos, pesava muito o facto de sermos netos do Mateus. Para o Avô e o Sr. Timóteo, e tantos do seu tempo, ser amigo de alguém implicava ser amigo da família.

O dia em que o Sr. Timóteo partiu foi um dia marcante para mim. Sei que foi ainda mais marcante para o Avô Mateus, porque se despediu de um companheiro de longa viagem.

O Tio Zé (do Brasil)

O Tio Zé (do Brasil)

Entre os doze irmãos e irmãs do Avô, um sempre ocupou um lugar especial no seu coração – o tio Zé. E por isso não podia deixar de escrever sobre este relacionamento especial.

Há uns meses atrás, pedi à prima Alda que está no Brasil para tentar falar com o tio Zé, na tentativa de obter mais informação sobre o passado do Avô. Acabei por descobrir que o tio Zé escreveu em 2004 um pequeno livro com muitas das suas memórias, e que a prima Alda – sempre disposta a ajudar neste projecto – estava a fazer tudo para que um exemplar me chegasse às mãos rapidamente. Confesso que a espera de apenas algumas semanas foi longa, tal era o desejo de poder ler as memórias do tio Zé. Mas valeu a pena todo o tempo de espera!

Ontem, de uma forma inesperada, recebi finalmente o livro. E entretanto já o li. Nele, o tio Zé relata o percurso da sua vida, de uma forma simples e em traços largos. Como não podia deixar de ser, o Avô Mateus é mencionado e a informação que eu tanto desejava está lá. O tio Zé explica como o Avô Mateus se envolveu com os “evangélicos” e como ele próprio, num esforço de trazer o Chico de volta ao caminho da religião dominante, acabou também por se envolver.

Muitos elementos do livro do tio Zé serão uma ajuda preciosa na tentativa de traçar o percurso do Avô. Pela singularidade do percurso de vida de ambos, em tantas coisas semelhante, decidi dedicar um capítulo do livro aos dois irmãos – duas árvores de vida. O capítulo tem como título “O Chico e o Zé,” numa afectuosa alusão ao modo como eram tratados pelos irmãos. O capítulo já está escrito há alguns meses e vai agora ser significativamente melhorado com a ajuda do trabalho do tio Zé e a dedicação da prima Alda.

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O Chico e o Zé no seu último encontro a 1 de Outubro de 2007 à porta de casa do Avô Mateus

O Autor

Um certo e determinado neto em viagem ao passado do seu Avô

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