Na luz do fim de tarde

Igreja Evangélica de Cucujães, 12 de Abril de 2004

A luz quente de fim de tarde de Primavera entrava pelas janelas, inundando o ar repleto de silêncio. Sentado num banco, um pouco afastado, o Avô estava entregue aos seus pensamentos. A história daquele local e a história da sua vida fundiam-se num passado afastado no tempo mas, ainda assim, eternamente presente.

Após tirar algumas fotografias ao Avô enquanto ali estava meditativo, pedi-lhe para se aproximar da janela. Ao fazê-lo, o seu rosto brilhou imediatamente, acentuando o seu sorriso de felicidade. O momento foi capturado. O brilho no seu rosto era apenas um pálido reflexo da luz mais intensa que iluminava o seu coração.

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Numa manhã de Domingo

Neta Sara

O Mercedes do avô era um veículo especial, onde se passaram alguns episódios curiosos da vida de muitos familiares. Lembro-me sempre de um episódio especial. Uma manhã de Domingo, regressávamos da igreja e, como de costume, vinham todos (os primos) no carro. Todos os domingos era uma “galhofa”, mas neste aconteceu algo inesperado. Ao regressar a casa, numa pequena curva para contornar um passeio próximo da escola das Fontainhas, eu estava encostada a porta e os primos vieram todos para cima de mim. Sem mais nem menos, a porta abriu-se e eu caí redonda no chão. Felizmente aquela rua era pouco movimentada e o avô vinha devagar. Ouviram-se muitas gargalhadas porque foi uma situação hilariante. Eu e o avô também acabamos a rir e tudo não passou de um valente susto.

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Numa tarde de Domingo

Neto André

Íamos a bordo do seu Mercedes 190 D a caminho da Igreja de S. Jacinto já algo atrasados, não por culpa dele, mas dos primos que iam no carro, como era habitual. Então numa das rectas entre a Torreira e S. Jacinto, o Avô começa a ultrapassar um carro devagar, devagar, e então surge outro de frente e nunca mais acabávamos de ultrapassar, pois quanto ao Avô, nada de colocar uma mudança abaixo, numa de “fast and furious”. De repente, todos dentro do carro estavam inclinados para a frente (incluindo o avô) numa tentativa de apressar a ultrapassagem. Conseguimos, mas mais ninguém falou até chegarmos!