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Sim, de novo finalmente. Quase 5 anos após o anterior finalmente, a anunciar a conclusão da primeira versão do livro, surge um outro. Este anuncia o fim de outra etapa importante. Finalmente o livro está acabado e impresso!

Daqui a umas horas será o derradeiro finalmente. Vai haver festa e oferta dos livros. Poderia dizer que finalmente será possível ver o resultado do longo processo que aqui foi sendo descrito. Mas não é para isso que cá estamos, ou estivemos estas anos todos.

Finalmente a história de vida do Avô vai ser um pouco mais conhecida. Espero que o objectivo primordial deste empreendimento tenha sido alcançado: mostrar através do seu exemplo que aqueles que seguem a Deus são, na verdade, uma árvore de vida…

Chegou ao fim! Depois de incontáveis horas de trabalho, de procura e escrita, de noites gastas até às últimas horas, de momentos reflexão, de conflito, de saudade, de profunda alegria e não poucas vezes de lágrimas…

A escrita do livro terminou finalmente em quase duas centenas de páginas distribuídas ao longo de 35 capítulos. Um quase insignificante resumo de uma vida tão cheia e valorosa como a do Avô Mateus. Mas uma lembrança preciosa ainda assim. A título de introdução, fica aqui a listagem dos capítulos:

Sobre Homens e Árvores * Doces Memórias * Um Retrato (à la minute) * Sr. Mateus, o Empreendedor * O (Re)Começar da Vida * O Irmão Mateus * Onde Mora a Felicidade * 1969 * O Amor pela Palavra * Um Coração Alegre * Companheiros de Viagem * Sobre a Fé e a (in)Segurança * Um Conversador Class A * A Fresca Aragem da Noite * Lições de Vida * Os Bons Amigos * Uma Casa na Praia * O Fundador * Assuntos do Coração * Peripécias Amorosas * A Alma Sobrevivente * Lutar, Sempre. . . * Em Minha Defesa * Longe da Perfeição * A Longa Caminhada * O Chico e o Zé * Um Lar que Nunca Foi Seu * Amores de Última Hora * Reminiscências do Futuro * Sinais Secretos * Pelo Escuro Desfiladeiro da Morte * Mais Perto Quero Estar * Noite de Paz, Noite de Amor * A Herança * Sobre Homens e os Seus Frutos

 Significa isto que o livro está acabado…?  Não…

O processo de escrita está finalizado, mas são agora necessárias revisões de estilo e conteúdo, verificações gramaticais e de veracidade histórica. Os revisores estão preparados há muito tempo, seguramente ávidos para começar o seu trabalho. Ainda assim continua a haver espaço para novos revisores. Toda a ajuda é bem-vinda e certamente ira acelerar este processo de produção do livro.

Agora, mais do que nunca, o exemplo de determinação e resistência do Avô são uma inspiração indispensável.

Já passou tanto tempo desde o último post aqui no blog que as suspeita de abandono deste projecto começam a ganhar raiz. E vem então esta entrada para dissipar tais ideias. A escrita é ininterrupta, e ainda que prossiga a um ritmo demasiadamente lento – tão lento que a um olhar descuidado poderá parecer parado – ela continua. Não há desinteresse nem esquecimentos. O que não tem havido é tempo.

Curiosamente a experiência das últimas semanas tem-me levado a olhar para uma fase da vida do Avô e a tentar perceber aquilo pelo que passou. Um curto parágrafo da sua carta tem irrompido vez após vez pelo meio de tantas outras coisas que me enchem a cabeça, sobretudo nas horas pequenas da noite quando não se pode escolher entre trabalhar e dormir:

”Para vencer esta grave situação, tive de trabalhar brutalmente noite e dia…”

A vida do Avô não foi fácil. Foram muitas as dificuldades e dura a luta para enfrentar (e vencer) as que foram aparecendo. Nos tempo que correm, estas palavras do Avô são uma inspiração, um desafio a trabalhar, se preciso noite e dia, com a brutal tenacidade de quem não se deixa vencer pelas circunstâncias.

E quanto ao livro, meus amigos – e esta é certamente a última promessa que aqui deixo – vai ser terminado até ao fim do ano.

Enganam-se os que pensam que nada se faz durante as férias: sendo uma actividade a tempo inteiro, fazer férias não deixa de providenciar alguns momentos de desocupação de tempo que são prontamente aproveitados por aqueles que gostam de escrever, sobretudo os que gostam de escrever livros sobre a vida de algum antepassado recente. Talvez seja este o meu caso…

As férias vieram a jeito para dar um forte avanço na escrita, sobretudo na harmonização de tudo o que tinha sido escrito anteriormente com o conteúdo da inigualável carta do Avô, e com uma ou outra história nova que entretanto apareceu.

Entre tudo o que foi feito, destaco aqui a descoberta do atribulado passado sobre rodas do Avô. O resultado da compilação e processamento de toda a informação – que inicia no momento em que o Avô começou a pedalar e se estende até às memórias das recentes viagens de Mercedes com os netos – foi um dos mais extensos capítulos, cheio de pequenas histórias que oscilam entre o cómico e o trágico. E é do meio de um atribulado passado sobre rodas que emerge uma nova faceta do Avô, praticamente desconhecida da família e amigos. Nesta faceta existe um detalhe que merece ser já aqui avançado pela sua espectacularidade e imprevisibilidade: o Avô foi motoqueiro!

Muito antes de haver carro, houve mota. E uma mota muito especial… a famosa Kreidler K50 de fabrico alemão. As histórias em volta desta motorizada – e do subsequente percurso automobilístico – são tão interessantes que me apetece começar já aqui a contar. Mas por agora ficam guardadas por mais uns tempos. Só digo que vai valer a pena esperar por elas…

Kreidler k50 (1950) - Foi numa motorizada igual a este que o Avô Mateus se deslocou durante muitos anos

Aqui fica uma ou outra coisa que eventualmente poderá ter interesse aos fiéis seguidores do blog:

  1. Mais um capítulo terminado, o penúltimo, segundo as estimativas mais recentes.
  2. O blog completou um ano de existência! A primeira entrada foi a 30 de Junho de 2009. Ainda se lembram das sérias dúvidas que tinham na altura sobre a viabilidade deste projecto?!?!
  3. 1 ano, 45 posts, 170 comentários, sei lá quantos seguidores inscritos e…. e esta é mesmo surpreendente… mais de 5000 visitas.
  4. Não sei bem o que significa 5000 visitas num ano, mas deve significar algo de bom, do género que o (Avô) Mateus não foi esquecido e que a sua vida continua a despertar interesse e a inspirar. E a dar fruto…

Não há terreno mais fértil que a narrativa pessoal para quem procura traçar o rumo dos dias passados de uma vida consumada. É a palavra da pessoa que fala mais alto, mesmo que a sua voz tenha há muito emudecido. Sem um legado de diários, livro de memórias ou outras anotações passageiras e intemporais, restam pequenos fragmentos de dias vividos, anotados aqui e acolá, a propósito ou sem ele, para um qualquer fim mais ou menos trivial. Para quem quer trilhar o rumo de outra vida, não há melhor mapa que aquele desenhado por quem a viveu; por quem aqui passou e falou de si. Não é por ser um testemunho mais verdadeiro, mas por nele estar a verdade de uma história mais pessoal e íntima – mais real.

Já aqui tenho contado histórias de pequenos instantes que aparecem do nada só para desvendar alguns detalhes da complexa história do Avô Mateus: fotografias, documentos, pequenas anotações pessoais… Apesar da constante procura por estes fragmentos, eles tem vindo á superfície do oceano do tempo ao seu próprio ritmo, obedecendo a uma cadência oculta e oportuna.

Há vários meses que sabia que o Avô Mateus tinha a dada altura escrito uma carta dirigida aos filhos num contexto pouco claro, com vários elementos auto-biográficos. Sabia esta seria uma das principais peças no mosaico de fragmentos que compõem o mapa do tesouro que é a vida do Avô. Procurei, perguntei, ansiei… sempre sem resultado. Cheguei ao ponto de desistir encontrar aquilo que eu assumia ser a mais importante das descobertas na escrita do livro. E depois disso desisti mesmo, mas sem nunca conseguir sossegar aquela pequena voz que diz que tudo acontece no momento certo.

Desisti até ao momento certo chegar, quando o primo Ricardo me telefonou a perguntar se eu tinha interesse numa carta que ele tinha encontrado no meio de uns documentos; uma carta escrita pelo Avô e dirigida aos filhos. Assim do nada, quando já não esperava nada mais, em perfeita harmonia com tudo o resto que tem acontecido na escrita deste livro, veio á superfície o maior de todos os fragmentos. Esta é mesmo a grande descoberta! E no seguimento do que já tem acontecido antes, foi feita por um dos muitos interessados na história do Avô.

É mais importante o conteúdo da carta do que posso agora aqui mencionar. O porque do Avô ter escrito esta carta apenas será incidentalmente aflorado no livro. Nela o Avô verteu momentos do seu passado ao longo de 55 pequenos parágrafos. Alguns deles permanecerão ocultos, mas grande parte será transcrita no livro. Curiosamente, tinha optado por dedicar um dos capítulos ao percurso profissional do Avô numa espécie de sumário executivo, pelo que o conteúdo desta carta será um complemento perfeito. A quantidade de informação é avassaladora, e é particularmente interessante recebê-la das mãos do Avô ao fim deste tempo todo.

Mesmo perto do final do livro, parece que a última palavra é mesmo a do Avô…

Elementar meu caro neto,” teria dito o Avô ao filho do seu filho que se lembrou, ao fim deste tempo todo, que talvez fosse uma boa ideia fazer uma procura pelo nome do pai do seu pai na internet.

Ainda não me tinha lembrado desta e admito, com alguma vergonha, que assumi que nada relacionado com o Avô poderia ser encontrado na internet. E talvez seja escusado dizer que errei. Agora a pensar nisso, nem sei porque não escrevi as palavras “Francisco Mateus” num motor de busca e pressionei enter bem mais cedo.

Bem, pior que fazer tarde é não fazer, e eu finalmente fiz. E o resultado?

Comecemos por lembrar que a internet é uma rede de malha muito fina e por isso apanha quase tudo, o que interessa e o que não interessa. E foi muita coisa apareceu ligada ao nome em causa. Deu para perceber imediatamente que o nome não é assim tão incomum no universo lusófono. Mas nestas coisas nunca se pode desistir cedo e a perseverança geralmente paga. E aqui também pagou bem!

Após algum tempo a ler sobre personagens com o nome igual ao do Avô, mas sem qualquer outra semelhança, lá apareceu uma pérola, que afinal de contas tinha sido publicada n’O Regional, um dos jornais locais de S. João da Madeira.

“O Sr. Francisco, como toda gente sabe, é uma pessoa bondosa, de educação cristã. Foi um empresário que proporcionou empregos às famílias são-joanenses. Contribui para o progresso desta terra. Colaborou, durante décadas, com as várias instituições de solidariedade social, com as associações desportivas, culturais e recreativas do concelho, dando importantes donativos, sem se preocupar em saber quais as conotações políticas e religiosas das mesmas. O senhor Francisco Mateus mereceu sempre – e continuará a merecer certamente – o respeito e a admiração dos são-joanenses pela sua bondade, pela sua postura, pela sua rectidão como pessoa de bem e pela grandeza do seu carácter.”

O elogio é rasgado e honesto. E até é melhor do que isso… é verdadeiro. Ter sido um amigo e admirador do Avô a escrever não diminui o seu valor, porque nos dias que correm, nem os amigos escrevem assim sobre os seus amigos, a não ser que estes sejam verdadeiramente excepcionais. Tal como o Avô Mateus.

Estas palavras bem podiam ser um sumário executivo do livro. Talvez até as cite no último capitulo que já estou a escrever. São um olhar isento (ou seja, sem o incontrolável preconceito de um neto que acha que o seu Avô era o maior… e o mais bonito) sobre a pessoa que era o Avô e sobre o seu legado.

O autor do tal elogio rematou-o com uma observação curiosa:

“Talvez por o senhor Francisco Mateus nunca se ter posto em bicos de pés para ser notado, nem ter participado nunca em manifestações de carácter político, se tenham esquecido dele. Mas não todos. Apenas os que são de curta memória.”

E é por isto que estas notícias são escritas, e este blog, e o livro. Para distribuir gratuitamente um antídoto contra a falta de memória.

Obrigado Ade pelas palavras.

Obrigado Avô por as mereceres. Foste o maior (e o mais bonito…)

F. Mateus com uma boa postura (data incerta, lugar incerto com neve)

Do tempo de criança fica connosco uma elementar lição de vida. Tudo que construímos acaba, inevitavelmente, por ser destruído. É uma questão de tempo e das circunstâncias. Na praia construímos castelos de areia com a dedicação e envolvimento de quem está a construir uma coisa para a vida. Depois vem a água, ou o vento, ou o pé descuidado de alguém, ou o pé intencional, e o nosso castelo desaparece. E com ele os nossos sonhos e fantasias. E se não for nenhuma das anteriores, a simples inconsistência dos pequenos grãos de areia fará com que o nosso empreendimento não dure muito.

Crescemos e continuamos a construir castelos com o mesmo empenho, mas vamos percebendo que o que fazemos tem os dias contados, tal como nós.

O Avô Mateus sempre foi um construtor ao longo da sua vida – construiu relacionamentos, vidas, famílias, casas, prédios – e as suas qualidades nesta vocação melhoraram com a idade. E tudo que o construiu foi feito com este conhecimento implícito de que nada que o homem faz é indestrutível e eterno deste lado da vida. Ainda assim, ele construiu para durar.

No jornal da terra saiu a semana passada uma notícia a comunicar que o negócio de família iniciado pelo Avô há mais de meio século enfrenta a eminência de ser finalmente destruído. Da notícia saliento apenas o mais interessante, já que o resto não o merece:

Fundada há mais de 57 anos por Francisco Soares Mateus, a empresa adquire a forma actual em que o património e gestão da ARSOL passou a ser controlada pelos filhos, a partir de 1983. Dedicados à empresa desde muito jovens, os actuais sócios têm participado activamente na sua evolução, cujos aspectos mais marcantes se prendem com a diversão da produção implementada ao longo dos anos. Assim, até 1965, a sua actividade consistiu no fabrico de estores em madeira, altura em que foi introduzida a produção de estores em PVC. Em 1969, a ARSOL iniciou o fabrico e montagem de caixilharia de alumínio e anodização. Finalmente, em 1983, dá-se o arranque para o fabrico de tubos em PVC e acessórios, produtos que vieram a assumir um papel fundamental na expansão dos negócios da empresa.

As obras do homem morrem, mais cedo ou mais tarde, tal como ele. Mas não os frutos da sua vida; esses podem estender-se pela eternidade. E é por isso irrelevante se tudo que o Avô construiu venha a desaparecer, porque o fruto que ele deixou, tecido numa matéria mais consistente do que simples átomos, nunca desaparecerá.

Esqueci-me, deliberadamente, de um pormenor. Ao longo do seu percurso o Avô Mateus aprendeu algo importante. Aquilo que o homem constrói perece com ele; Aquilo que Deus constrói permanece. E por isso o Avô disponibilizou a sua vida para Deus construir através dela.

Pequena oficina onde nasceram os estores ARSOL

Por esta altura, os seguidores mais dedicados do blog – que podem ser poucos, mas bons – já perceberam que uma promessa foi quebrada. Num post anterior assegurei que a primeira versão do livro estaria terminada até ao final de Março, mas agora que Março passou e Abril não apresenta sinais de abrandar, o livro permanece inacabado. Pela falha apenas posso apresentar uma justificação (algo) medíocre.

Não querendo prosseguir pelo caminho da desresponsabilização – porque uma promessa quebrada é sempre uma promessa quebrada – avanço com a mais elementar justificação: falta de tempo. O aumento do volume de trabalho e a agitação caseira tem reclamado quase todas as horas do dia. O pouco que sobra tem sido dedicado a pequenos projectos que entretanto (e inesperadamente) apareceram. Todos juntos, ou à vez, estes factores contribuíram generosamente para a quebra da promessa.

Mas nem tudo são notícias menos boas. A quebra de promessa não significa que nada se fez durante este período. Pouco se escreveu, mas muito foi feito. Parte do trabalho feito foi já aqui referida anteriormente.

A esse, acresce a procura de informação para fazer crescer a árvore genealógica do Avô Mateus (algo que a seu tempo será aqui apresentado) e outros tantos detalhes sobre o percurso do Avô (alguns adicionados recentemente à Viagem pelo Tempo). Nuns e outros, a ajuda da família e amigos tem sido valiosa.

Entretanto tenho conseguido aproveitar o tempo que já não sobra para ler um livro cheio de bons conselhos para quem quer escrever sobre histórias de família: Tracing Your Family History de Anthony Adolph. Nem a propósito!

Resta finalizar sem mais promessas, apenas com a manifestação de intenção de terminar a tal versão “rascunho” dentro de pouco tempo.

Achei que seria adequado compensar a fidelidade dos leitores deste blog com a estimulante notícia de mais um capítulo terminado! Este capítulo demorou a ser escrito mais que o habitual por dois motivos. Em primeiro lugar, pela disponibilidade de tempo; ou da falta dela, para ser mais exacto. Para o finalizar foi necessária a velha estratégia de recorrer à ajuda das horas mais longas da noite. O segundo motivo é bem mais relevante. Este capítulo é central na história, não porque divide o livro em dois hemisférios de igual número de folhas, mas porque descreve o evento mais importante da vida do Avô.

O titulo provisório desta secção – O (Re)Começar da Vida – dá o mote ao que se segue: a narrativa de como aos 28 anos, casado e com dois filhos, o Avô começou a viver. Sem querer avançar muito, ficam aqui algumas linhas, caso algum leitor não saiba ao certo do que se fala.

“…nesta nova vida, o medo de Deus viria a dar lugar ao temor e admiração, a vontade de obedecer à Sua vontade substituiria a obrigação de o fazer, e a esperança na vida eterna esmagaria a incerteza do destino final da alma.”

Entretanto a Linha Temporal aqui no blog foi actualizada e ligeiramente corrigida, tal como um dos capítulos do livro que descreve as nossas aventuras no carro do Avô. Em relação a este, deparei com uma curiosa contradição quando terminei a primeira versão, que já aconteceu há algum tempo, mas ainda assim achei interessante partilhar. Depois de ter escrito um capítulo onde a habilidade do Avô ao volante é exaltada, encontrei a fantástica fotografia que está abaixo, e onde se vê o Avô a tentar tirar o carro de uma vala. Foi um acidente sem precedentes e repetições. É de salientar a postura calma da Avó e o seu olhar curioso. Parece mesmo esboçar o sorriso de quem pensa as triunfantes palavras: “eu avisei…”

 

"Carro na Valeta" - Manobra de Francisco Soares Mateus (circa 1965)

Continua intenso o esforço de encontrar tempo para terminar o primeiro rascunho do livro. Entretanto percebi que seria necessário um capítulo adicional de fecho, não mais na forma de memórias ou histórias, mas de outra natureza.

Já tenho dedicado muito esforço mental a este capítulo e, embora já tenha uma ideia clara sobre o conteúdo, ainda não escrevi uma linha. Como tudo ainda está em aberto nesta matéria, podem sempre surgir novas ideias ou novos conteúdos. E foi o que aconteceu estes dias.

Recebi por correio uma encomenda há muito esperada – nada mais nada menos que os cadernos de notas de Leonardo Da Vinci em 3 volumes profusamente ilustrados. Algo chamou a minha atenção assim que folheei o primeiro livro. No meio de outras tantas reflexões estavam as seguintes linhas:

“(…) nada é mais passageiro que os anos, mas aquele que semeia virtude colhe honra.”

Pareciam mesmo estar ali é espera de serem encontradas. Percebi imediatamente que as teria de citar no livro porque:  (1) ecoam as palavras do livro de Provérbios (largamente citado ao longo de todo o trabalho) e são uma curiosa transposição da advertência “quem semeia ventos, colhe tempestades” do profeta Oseias; (2) adaptam-se perfeitamente ao Avô Mateus.

Afinal de contas parece que as primeiras linhas do último capítulo acabaram de ser escritas.

Aos poucos o livro vai avançando, não ao ritmo desejado, mas na cadência estabelecida por uma vida cheia de outras tantas coisas para fazer. O final está à vista e esta visão é, ao mesmo tempo, frustrante e motivadora. Não faço promessas mas deixo uma declaração de intenção – a de finalizar os capítulos em falta até ao fim de Março. Começa a contar já…

Ritmo lento não significa falta de investimento no projecto, e por isso ficam aqui duas grandes descobertas recentes (uma vez mais do fantástico espólio compilado pelo Tio Josias). São fotografias de família tiradas durante a década de 60. Na primeira, tirada em casa do Avô no seu aniversário a 29 de Setembro de 1965, estão em falta o Tio Manuel e o Tio Joaquim, que na altura estavam na guerra no Ultramar. Na segunda, tirada em estúdio a data incerta, está a família completa. Ou quase… Um olhar atento revela que o Tio Manuel (estrategicamente situado entre o Avô e a Avó) tem as proporções ligeiramente exageradas. E isto porque na altura ainda estava no Ultramar e a sua imagem foi adicionada à fotografia original. Está quase perfeito, o que para uma época em que tudo se fazia à mão e a olho, revela um trabalho excelente.

Espero que apreciem. São duas jóias familiares. Talvez acabem ambas no livro.

Festa de aniversário na casa do Avô Mateus (da esquerda para a direita: Daniel, Sara, Avô Mateus, Avó Eugénia, David, Lídia, Filipe e Josias)

Família Mateus na década de 60 (da esquerda para a direita; fila de trás: David, Joaquim, Avô Mateus, Manuel, Avó Eugénia e Daniel; fila da frente: Josias, Filipe, Lídia e Sara)

Embora o início da nova estação seja hoje marcado pelo solstício de Inverno, o frio e chuva já a vem anunciando faz algum tempo. É nestes dias cinzentos e tristes que emergem as memórias da estação quente e dos seus longos dias de sol. Foi no espírito destas lembranças que finalizei mais um capítulo do livro, talvez um dos que mais demorou a ser redigido. Comecei a escrevê-lo no auge do Verão passado, sentado numa cama de uma das camaratas do Centro Bíblico de Esmoriz, banhado por um sol glorioso e refrescado pelo vento de norte que invadia o espaço.

As ideias iniciais foram amadurecendo durante os meses que passaram e, aos poucos, foi surgindo uma ligação evidente entre o Avô Mateus e as memórias (quase perfeitas) que guardo das semanas de acampamento dos verões passados naquele local. Numa aproximação mais elementar, pode-se dizer que estas memórias só existem por causa do trabalho do Avô e alguns amigos. Foram eles que em 1967 iniciaram a construção do acampamento, certamente com uma clara visão do futuro, mas ainda assim longe de imaginar o verdadeiro impacto que teria na vida de milhares de pessoas.

Este foi um dos capítulos que mais prazer deu escrever, ainda que não tenha sido o mais fácil. Descobrir o papel do Avô Mateus na construção do CBE e na sua manutenção ao longo de décadas foi uma descoberta tardia para mim e para os primos. Mas foi certamente uma das mais incríveis. Esta é talvez a obra do Avô que mais orgulho me dá.

O Avô Mateus fez uma casa na praia, não para si ou para os seus. Fê-la para todos. Por isso dei a este capítulo o sugestivo nome de “Uma Casa na Praia.”

Obras de construção do Centro Bíblico de Esmoriz

É verdade. Está quase a chegar ao fim o primeiro rascunho do livro. O silêncio que se instalou aqui no blog nas últimas semanas não foi de quietude. Deveu-se, antes, ao canalizar do pouco tempo disponível para a escrita do livro. O resultado é mais um capítulo terminado – um dos restantes 3 por finalizar. O capítulo agora concluído designa-se “Mais Perto Quero Estar”, numa óbvia alusão ao hino que tantas vezes ouvimos o Avô Mateus cantar. O capítulo começa numa manhã Domingo, mas não uma qualquer; na fria manhã de um Domingo em Novembro de 2008.

Entretanto finalizei também um primeiro esboço do Prefácio do livro. Comecei a escrevê-lo durante uma tarde passada no aeroporto de Frankfurt, enquanto espera ligação para Atenas, há umas semanas atrás. Sinto que ainda falta ali qualquer coisa, pelo que uma versão final do prefácio será mesmo a última coisa do livro a escrever.

Os dois capítulos em falta já estão também em processo de escrita e, se tudo correr pelo melhor, deverão estar concluídos dentro de algumas semanas. Depois faltará incorporar parte da nova informação coleccionada com a ajuda do blog. Feito isto, o primeiro rascunho do livro terá então chegado ao fim.

Resta ainda a salientar uma nova entrada na página “Momentos.” É um breve episódio passado no antigo Mercedes do Avô Mateus, relatado pela neta Sara. Como quase todos os momentos passados com o Avô naquele carro, este episódio é fantástico. Vale a pena visitar esta secção para o ler.

2004_mateus_iec_bw

O Avô na igreja em Cucujães (12/04/2004)

São tantas as memórias do Avô que seria impossível compilar todas num só livro. São tão preciosos estes momentos que seria impensável não os guardar. Embora não estejam necessariamente dentro do âmbito do livro, muitas destas histórias de familiares e amigos que envolvem o Avô merecem ser preservadas. Como repositório destes instantes, este blog conta a partir de hoje com uma nova página, sugestivamente rotulada de Momentos.

Qualquer pessoa poderá ter o seu momento aqui publicado. Poderá ser na forma de fotografias, pequenos filmes ou texto, que deverá ser enviado para davi.misael@gmail.com.

As férias foram óptimas para o trabalho do livro. Com mais algum tempo livre do que o habitual, surgiu a oportunidade de trabalhar em alguns capítulos que estavam já em avançado estado de concretização, na tentativa de os finalizar. Houve também oportunidade para finalmente começar outros capítulos que já andavam a ser escritos na mente há algum tempo.

Mas as férias trouxeram ainda algo mais… imensas oportunidades de conversa com familiares e amigos. Destes encontros saiu muito material para o livro: mais histórias, referências temporais e detalhes de outros tantos episódios. A tudo isto, junta-se ainda a descoberta de alguns documentos relevantes. Agora está tudo a ser devidamente analisado e processado para ser incorporado no livro.

Parte dessa informação recolhida será tema das próximas entradas do blog e irá ser utilizada para expandir a secção “Viagem pelo Tempo” do Avô. Por isso, mantenham-se atentos (e participativos).

Esta entrada serve apenas para salientar a criação de uma nova página neste blog (ver menu horizontal acima), que pretende ser uma tentativa para definir o percurso do Avô Mateus ao longo do tempo. Passem por lá e deixem contribuições nos comentários.

O Autor

Um certo e determinado neto em viagem ao passado do seu Avô

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