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Continua intenso o esforço de encontrar tempo para terminar o primeiro rascunho do livro. Entretanto percebi que seria necessário um capítulo adicional de fecho, não mais na forma de memórias ou histórias, mas de outra natureza.

Já tenho dedicado muito esforço mental a este capítulo e, embora já tenha uma ideia clara sobre o conteúdo, ainda não escrevi uma linha. Como tudo ainda está em aberto nesta matéria, podem sempre surgir novas ideias ou novos conteúdos. E foi o que aconteceu estes dias.

Recebi por correio uma encomenda há muito esperada – nada mais nada menos que os cadernos de notas de Leonardo Da Vinci em 3 volumes profusamente ilustrados. Algo chamou a minha atenção assim que folheei o primeiro livro. No meio de outras tantas reflexões estavam as seguintes linhas:

“(…) nada é mais passageiro que os anos, mas aquele que semeia virtude colhe honra.”

Pareciam mesmo estar ali é espera de serem encontradas. Percebi imediatamente que as teria de citar no livro porque:  (1) ecoam as palavras do livro de Provérbios (largamente citado ao longo de todo o trabalho) e são uma curiosa transposição da advertência “quem semeia ventos, colhe tempestades” do profeta Oseias; (2) adaptam-se perfeitamente ao Avô Mateus.

Afinal de contas parece que as primeiras linhas do último capítulo acabaram de ser escritas.

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Os pais do Avô: Ludovina Rosa de Jesus e José Maria Soares Mateus. Fotografia de estúdio tirada em Oliveira de Azeméis (Junho de 1954).

Quando se é pequeno e se olha para um avô que é “velhinho”, é absurdo pensar que ele foi em tempos jovem e teve um pai e uma mãe. Depois vamos crescendo e inevitavelmente descobrimos o axioma central da biologia – toda a gente tem progenitores – e que destrói a nossa visão da natureza sempiterna dos avós.

No caso do Avô Mateus, só tomei consciência disto quando um dia ele me falou dos seus pais. Até aquele momento o Avô era um ser independente sem uma causa primária que o tivesse trazido á existência. Foi uma informação que me causou alguma estranheza inicial, mas que logo foi assimilada. A partir desse momento os pais do Avô nasceram para mim e, aos poucos, foi conhecendo os traços de carácter destes meus familiares distantes. De todas as vezes que o Avô falou deles, foi sempre para os elogiar de alguma forma.

Já aqui falei da mãe do Avô, mas nunca o tinha feito do seu pai. Mas eis que a oportunidade surge para o fazer e por um motivo especial. Um dos comentários da última entrada do blog foi feito por um primo que está no Brasil, e que queria saber se a mãe do Avô tinha o mesmo nome da bisavó dele. E tem! Ludovina Rosa de Jesus é o nome da nossa bisavó e José Maria Soares Mateus o do nosso bisavô. Quando o Avô Mateus nasceu tinham 29 e 33 anos, respectivamente.

Conhecendo o ávido interesse dos leitores do blog pelas imagens nostálgicas de outros tempos, não poderia deixar aqui ficar esta informação sem uma boa fotografia do casal em questão. Mas a coisa ainda fica melhor! Para acompanhar a fotografia fica uma breve, mas objectiva, descrição da natureza de ambos, feita por quem os teve como pais. São excertos retirados do livro autobiográfico escrito em 2004 pelo Tio Zé, que emigrou para o Brasil em 1952, dois anos antes de esta fotografia ter sido tirada.

‘’Meu pai era um homem corajoso, grande lutador pela vida, sem cultura, mas muito responsável e trabalhador. Sua profissão era de carpinteiro. Trabalhava muito para poder sustentar a prole (…) Ele não só lutava, mas também nos deu o exemplo de trabalho e carácter integro (…) Minha mãe era aquela mulher virtuosa, bem comparada a Provérbios 31:10-13; e, com sabedoria, passou para as filhas aquilo que ela era (…) nunca vi brigas entre meu pai e minha mãe, apesar de grandes lutas em tantas dificuldades da vida, na criação de muitos filhos, etc. (…) Meu pai tratava muito bem a minha mãe e carinhosamente a chamava de Bininha.’’

Aos poucos o livro vai avançando, não ao ritmo desejado, mas na cadência estabelecida por uma vida cheia de outras tantas coisas para fazer. O final está à vista e esta visão é, ao mesmo tempo, frustrante e motivadora. Não faço promessas mas deixo uma declaração de intenção – a de finalizar os capítulos em falta até ao fim de Março. Começa a contar já…

Ritmo lento não significa falta de investimento no projecto, e por isso ficam aqui duas grandes descobertas recentes (uma vez mais do fantástico espólio compilado pelo Tio Josias). São fotografias de família tiradas durante a década de 60. Na primeira, tirada em casa do Avô no seu aniversário a 29 de Setembro de 1965, estão em falta o Tio Manuel e o Tio Joaquim, que na altura estavam na guerra no Ultramar. Na segunda, tirada em estúdio a data incerta, está a família completa. Ou quase… Um olhar atento revela que o Tio Manuel (estrategicamente situado entre o Avô e a Avó) tem as proporções ligeiramente exageradas. E isto porque na altura ainda estava no Ultramar e a sua imagem foi adicionada à fotografia original. Está quase perfeito, o que para uma época em que tudo se fazia à mão e a olho, revela um trabalho excelente.

Espero que apreciem. São duas jóias familiares. Talvez acabem ambas no livro.

Festa de aniversário na casa do Avô Mateus (da esquerda para a direita: Daniel, Sara, Avô Mateus, Avó Eugénia, David, Lídia, Filipe e Josias)

Família Mateus na década de 60 (da esquerda para a direita; fila de trás: David, Joaquim, Avô Mateus, Manuel, Avó Eugénia e Daniel; fila da frente: Josias, Filipe, Lídia e Sara)

O Autor

Um certo e determinado neto em viagem ao passado do seu Avô

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