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Avó Eugénia

Avó Eugénia

Nenhum dos netos teve o privilégio de conhecer a Avó Eugénia. Mesmo o mais velho de nós, o Daniel, o único que a Avó teve oportunidade de pegar ao colo e acariciar, era na altura muito novo para poder guardar qualquer impressão desses afectos. Ainda assim, a Avó faz parte da nossa história e da nossa vida. Crescemos a ouvir falar da mulher excepcional que era, o que não deixou de nos impressionar e inspirar. A julgar pelas palavras do Avô, tios e amigos, a Avó era uma pessoa amada e um exemplo do amor em acção – um amor que era sempre grande e sentido nas pequenas coisas do quotidiano.
A Avó foi o grande amor do Avô – a verdadeira história de amor da sua vida. Mesmo depois de ter partido continuou a moldar a personalidade do Avô. Falar do Avô sem lembrar a Avó é por isso impossível. Ela esteve sempre presente até ao fim dos dias do Avô, na sua mente e no seu coração, numa saudade crónica, em parte aliviada pela certeza do reencontro eterno.
A morte nunca os separou, nem as pequenas coisas da vida. O Avô continuou a sua depois da Avó partir e, como ele mesmo reconhecia, nem sempre da melhor forma no que respeita às coisas do coração. Mas as escolhas que tomou nessas matérias, e que tantas críticas atraíram, não foram por esquecimento desse amor primordial ou por desconsideração, mas antes pela confusão emocional que o assaltou depois da separação da sua amada. “O coração tem razões que a própria razão desconhece,” escreveu o brilhante filósofo e matemático Blaize Pascal. Como cristão esclarecido, ele sabia que a natureza humana leva-nos, inexplicavelmente, a trilhar alguns rumos invulgares. A razão humana pode nunca conseguir explicar o rumo do coração do Avô. O próprio Avô não conseguia.
Se algumas das vozes que se levantaram contra ele tivessem trocado o discurso da condenação pelo da consolação, talvez as coisas tivesses sido diferentes. Poucos tentaram perceber a tragédia de perder uma esposa de repente e ficar só com uma casa cheia de filhos para governar.
Seria impossível contornar estes aspectos ao escrever as memórias do Avô, especialmente o do papel da Avó Eugénia. Em relação a ela, socorri-me das memórias partilhadas de quem a conheceu e amou. As poucas que consegui coleccionar fazem-me querer saber muito mais. Dedico um capítulo do livro ao relacionamento do Avô e da Avó que designei de “1969” – o ano em que a Avó partiu e a vida do Avô e dos tios mudou radicalmente.
Tive a oportunidade de saber pela boca do Avô Mateus o que ele sentia pela Avó, num “segredo” revelado durante a festa do seu 84º aniversário. O segredo deixou de o ser naquele momento… o Avô tinha de o desvendar. E por isso incluí-o no livro.

Nenhum dos netos teve o privilégio de conhecer a Avó Eugénia. Mesmo o mais velho de nós, o Daniel, o único que a Avó teve oportunidade de pegar ao colo e acariciar, era na altura muito novo para poder guardar qualquer impressão desses afectos. Ainda assim, a Avó faz parte da nossa história e da nossa vida. Crescemos a ouvir falar da mulher excepcional que era, o que não deixou de nos impressionar e inspirar. A julgar pelas palavras do Avô, tios e amigos, a Avó era uma pessoa amada e um exemplo do amor em acção – um amor que era sempre grande e sentido nas pequenas coisas do quotidiano.

A Avó foi o grande amor do Avô – a verdadeira história de amor da sua vida. Mesmo depois de ter partido continuou a moldar a personalidade do Avô. Falar do Avô sem lembrar a Avó é por isso impossível. Ela esteve sempre presente até ao fim dos dias do Avô, na sua mente e no seu coração, numa saudade crónica, em parte aliviada pela certeza do reencontro eterno.

A morte nunca os separou, nem as pequenas coisas da vida. O Avô continuou a sua depois da Avó partir e, como ele mesmo reconhecia, nem sempre da melhor forma no que respeita às coisas do coração. Mas as escolhas que tomou nessas matérias, e que tantas críticas atraíram, não foram por esquecimento desse amor primordial ou por desconsideração, mas antes pela confusão emocional que o assaltou depois da separação da sua amada. “O coração tem razões que a própria razão desconhece,” escreveu o brilhante filósofo e matemático Blaize Pascal. Como cristão esclarecido, ele sabia que a natureza humana leva-nos, inexplicavelmente, a trilhar alguns rumos invulgares. A razão humana pode nunca conseguir explicar o rumo do coração do Avô. O próprio Avô não conseguia.

avos

O casal Mateus

Se algumas das vozes que se levantaram contra ele tivessem trocado o discurso da condenação pelo da consolação, talvez as coisas tivesses sido diferentes. Poucos tentaram perceber a tragédia de perder uma esposa de repente e ficar só com uma casa cheia de filhos para governar.

Seria impossível contornar estes aspectos ao escrever as memórias do Avô, especialmente o do papel da Avó Eugénia. Em relação a ela, socorri-me das memórias partilhadas de quem a conheceu e amou. As poucas que consegui coleccionar fazem-me querer saber muito mais. Dedico um capítulo do livro ao relacionamento do Avô e da Avó que designei de “1969” – o ano em que a Avó partiu e a vida do Avô e dos tios mudou radicalmente.

Tive a oportunidade de saber pela boca do Avô Mateus o que ele sentia pela Avó, num “segredo” revelado durante a festa do seu 84º aniversário. O segredo deixou de o ser naquele momento… o Avô tinha de o desvendar. E por isso incluí-o no livro.

“Quem arranjar uma mulher virtuosa, é como se tivesse encontrado um tesouro de alto valor. O seu marido tem confiança nela, e os recursos materiais nunca lhe faltarão. Nunca se tornará um empecilho para o seu esposo; pelo contrário, sempre o ajudará a vida toda. (…) Os encantos femininos podem enganar; a beleza não dura sempre. Mas uma mulher que ama e teme Deus, essa merece todos os elogios. Será louvada por tudo o que faz, e os seus actos virtuosos serão reconhecidos publicamente.” (Provérbios 31:10-12,30,31)

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Esta manhã, enquanto atravessava a ponte de autocarro e deixava o olhar nadar pelo Tejo a perder de vista, com as ideias a vaguear por recordações e sensações, dei comigo a pensar no tão querido Walter Alexander. Uma lembrança recorrente mas sempre preciosa. Invariavelmente, à sua recordação vem sempre associada uma outra, as últimas palavras do Salmo 19 com as quais ele sempre termina as suas orações. Estas memórias estão tão intimamente ligadas que é impossível dizer onde uma acaba para dar lugar à outra.

O Avô Mateus e o Walter tinham um respeito e admiração mútua, conquistado e acarinhado por anos de cumplicidade no temor e amor a Deus. Eram amigos de longa data, ainda que para o Avô o Walter fosse um “rapaz novo.” Eram igualmente um exemplo para os crentes nas palavras, na conduta, no amor, na fé e na pureza. O Avô falava muito dele e do seu trabalho, e sempre fez tudo ao seu alcance para o apoiar. Partilhavam uma natureza semelhante no que toca à sabedoria, amor pela Palavra e dedicação a Deus. E no sentido de humor.

Só conheci o Walter quando ele regressou a Portugal já na década de 90 e veio morar para S. João da Madeira. Descobri por essa altura que ele e a Elizabeth já tinham estado em Portugal muitos anos antes a colaborar com várias igrejas. Desde então eram vistos como exemplos e fonte de inspiração. O Avô Mateus lembrava-me isso frequentemente, e não poucas vezes da sua eloquência na pregação da palavra e na exortação. Um dom admirável que o Avô tanto apreciava.

Por vezes, ao olhar para as fotografias daquele tempo, tento encontrar os rostos – distintos pela sua beleza – do casal escocês que tantas pessoas marcou. E ainda marca, é certo. Até agora ainda não os consegui encontrar. Deixo aqui um pedido de partilha para quem tenha alguma fotografia do Walter e da Elizabeth em Portugal, ou onde o Avô Mateus e o Walter apareçam juntos.

Espero ainda conhecer algumas dessas histórias onde o Avô e o Walter se cruzam. Espero ter o privilégio de ouvi-las pela boca do próprio Walter.

“Que as minhas palavras te sejam agradáveis, assim como os pensamentos do meu coração, Senhor, minha rocha e meu libertador!” (Salmos 19:14)

Baptismo da Bisavó Ludovina Rosa de Jesus, mãe do Avô Mateus (Rio Vouga, Cacia)

Baptismo da Bisavó Ludovina Rosa de Jesus, mãe do Avô Mateus (Rio Vouga, Cacia, 1965)

Provavelmente muitos já tenham esquecido, mas um dos momentos mais emocionantes da vida do Avô Mateus está registado nesta fotografia. Não podia, portanto, deixar de mostrar aqui uma raridade de tamanha importância. Esta fotografia foi tirada no exacto momento em que a sua mãe, Ludovina Rosa de Jesus, imergiu das águas após o seu baptismo. A Bisavó Ludovina tinha então uma idade a rondar os 90 anos e quase igual número de quilos. O peso e a idade, ou a combinação dos dois, não tinham sido impedimento, um pormenor que o Avô sempre enfatizava.

O Avô falava deste momento com uma comoção tal que os seus olhos brilhavam pelas lágrimas de alegria que facilmente afloravam. Foi o culminar de uma vida que, próxima do seu desfecho, se rendeu ao amor de Deus. Durante décadas, o Avô esperou que este momento e orou fervorosamente para o poder testemunhar.

Esta é uma das duas fotografias que o Avô mais vezes me mostrou e sobre as quais mais falava. A outra será aqui apresentada em breve.

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Desenho do livro de notas do autor (entretanto a neta Daniela observou - com razão - que e a tampa do frasco está mal representada, uma vez que a original era mais larga)

No fim-de-semana passado tive a felicidade de encontrar um dos meus alimentos favoritos – favos de mel. Como qualquer iguaria, esta não é menos rara e difícil de apanhar. Como tudo que é exótico, é também adquirida a um preço acima do seu valor real. Mas vale a pena, não só pelo sabor, mas pelas memórias que desperta. Invariavelmente, sempre que sinto o aroma ou paladar do mel, lembro-me do Avô Mateus. Este reflexo condicionado, partilhado por muitos dos netos, foi adquirido ao longo de anos, de tantos que foram os famosos lanches de bolachas com mel na cozinha do Avô. Estas memórias devem ser as primeiras e mais belas que temos do Avô.

Curiosamente foi com esta memória partilhada que comecei o esboço do livro, e foi também o primeiro capítulo que escrevi, de nome “Doces Memórias.” Define o estilo para todo o livro.

Como o trabalho ainda vai na forma de “versão preliminar,” qualquer detalhe adicional dos participantes pode revelar-se precioso.  Em jeito de aliciação, deixo algumas linhas do final deste capítulo, ficando aberto a sugestões, correcções, ou outras quaisquer acções que ajudem a melhorar a obra.

“Ficaria connosco para toda a vida, esta imagem de um homem de palavras e sabedoria doces como mel. Na singela perfeição daqueles momentos, entregues a um simples prazer, nunca poderíamos imaginar que aquele mel e aquele cerimonial de alegria seriam uma metáfora para o nosso relacionamento com o Avô (…) Cúmplices neste segredo de gerações, guardamos com o Avô estas doces memórias que incansavelmente saboreamos ao longo dos anos, as primeiras de muitas que entretanto iriam aparecer. Só por si, estas recordações seriam uma herança inestimável se nada mais ficasse da memória do Avô Mateus. Ficaram como uma lembrança perfeita da infância…”

Esta entrada serve apenas para salientar a criação de uma nova página neste blog (ver menu horizontal acima), que pretende ser uma tentativa para definir o percurso do Avô Mateus ao longo do tempo. Passem por lá e deixem contribuições nos comentários.

A013

A Família Mateus

Ter máquina fotográfica era noutros tempos um privilégio, mas ainda assim existe um número significativo de fotografias do Avô. O ano em que foram tiradas e, em alguns casos o local, está para ser determinado. Se é que tal tarefa seja ainda possível. Muitos rostos estão sem identidade, outros são facilmente reconhecidos. Vaguear por estas janelas do passado tem sido uma excursão a outras épocas – os tempos do Avô, – que leva invariavelmente a mais perguntas que respostas.
O tom sépia e os contornos ligeiramente indefinidos acrescentam uma certa patina de nostalgia a estas imagens, cativando o nosso olhar e levando a imaginação a divagar pelo enquadramento distante daqueles momentos. Muitas destas imagens estão já incluídas no livro para ajudar os leitores a esboçar os contornos de algumas das histórias relatadas. Afortunadamente, tal só é possível devido ao esforço incansável de um dos filhos d’O Mateus, o Tio Josias, que ao longo de anos foi passando estas imagens para suporte digital. O resultado deste trabalho é um arquivo de imagens impressionante. O Avô chegou mesmo a estar presente em algumas das sessões deste trabalho, sentado em silêncio ao lodo do tio sempre com muita paciência e curiosidade.
Se algum dos nossos leitores conseguir olhar para qualquer das imagens que por aqui vão estar e dizer algo sobre o momento, o local ou as pessoas, estará a fornecer informação privilegiada e, acima de tudo, necessária. Infelizmente não haverá espaço no livro para todas as imagens, nem tão pouco para as mais interessantes. Mas as incluídas despertarão a imaginação e a memória.
Um comentário recente de um dos netos rotula as fotografias do blog como “deliciosas.” No livro aparecerão como deliciosas janelas para o passado. Começo a pensar seriamente em disponibilizar estas imagens para todos através de um arquivo online.

Para um tempo em que ter maquina fotográfica era um previlégio, não deixa de ser interessante o número significativo de fotografias do Avô tiradas ao longo da sua vida. O ano em que foram tiradas e, em alguns casos o local, está para ser determinado. Se é que tal tarefa seja ainda possível. Muitos rostos estão sem identidade, outros são facilmente reconhecidos. Vaguear por estas janelas do passado tem sido uma excursão a outras épocas – os tempos do Avô, – que leva invariavelmente a mais perguntas que respostas.

O tom sépia e os contornos ligeiramente indefinidos acrescentam uma certa patina de nostalgia a estas imagens, cativando o nosso olhar e levando a imaginação a divagar pelo enquadramento distante daqueles momentos. Muitas destas imagens estão já incluídas no livro para ajudar os leitores a esboçar os contornos de algumas das histórias relatadas. Afortunadamente, tal só é possível devido ao esforço incansável de um dos filhos d’O Mateus, o Tio Josias, que ao longo de anos foi passando estas imagens para suporte digital. O resultado deste trabalho é um arquivo de imagens impressionante. O Avô chegou mesmo a estar presente em algumas das sessões deste trabalho, sentado em silêncio ao lodo do tio sempre com muita paciência e curiosidade.

Se algum dos nossos leitores conseguir olhar para qualquer das imagens que por aqui vão estar e dizer algo sobre o momento, o local ou as pessoas, estará a fornecer informação privilegiada e, acima de tudo, necessária. Infelizmente não haverá espaço no livro para todas as imagens, nem tão pouco para as mais interessantes. Mas as incluídas despertarão a imaginação e a memória.

Um comentário recente de um dos netos rotula as fotografias do blog como “deliciosas.” No livro aparecerão como deliciosas janelas para o passado. Começo a pensar seriamente em disponibilizar estas imagens para todos através de um arquivo online.

FOTOS ANTIGAS 004

Os bons amigos: o Sr. Joel (esquerda), o Avô (centro) e o Sr. Timóteo (direita)

Dei com esta fotografia do Avô na companhia de dois (bons) amigos de longa data: o Sr. Joel e o Sr. Timóteo. A postura dos três revela uma amizade genuína. Esta imagem ajudou-me a materializar a ideia que o Avô foi em tempos jovem, com tudo o que isso implica. Muitas das amizades que se estenderam até ao fim da sua vida foram forjadas nesta fase da sua vida.

Gostava de saber mais sobre estas amizades e sobre a sua dinâmica. Seria bom apurar mais nomes e as histórias ou momentos a ligá-los ao Avô. Fica a sugestão para os leitores…

O Autor

Um certo e determinado neto em viagem ao passado do seu Avô

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