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Desenho do livro de notas do autor (entretanto a neta Daniela observou - com razão - que e a tampa do frasco está mal representada, uma vez que a original era mais larga)
No fim-de-semana passado tive a felicidade de encontrar um dos meus alimentos favoritos – favos de mel. Como qualquer iguaria, esta não é menos rara e difícil de apanhar. Como tudo que é exótico, é também adquirida a um preço acima do seu valor real. Mas vale a pena, não só pelo sabor, mas pelas memórias que desperta. Invariavelmente, sempre que sinto o aroma ou paladar do mel, lembro-me do Avô Mateus. Este reflexo condicionado, partilhado por muitos dos netos, foi adquirido ao longo de anos, de tantos que foram os famosos lanches de bolachas com mel na cozinha do Avô. Estas memórias devem ser as primeiras e mais belas que temos do Avô.
Curiosamente foi com esta memória partilhada que comecei o esboço do livro, e foi também o primeiro capítulo que escrevi, de nome “Doces Memórias.” Define o estilo para todo o livro.
Como o trabalho ainda vai na forma de “versão preliminar,” qualquer detalhe adicional dos participantes pode revelar-se precioso. Em jeito de aliciação, deixo algumas linhas do final deste capítulo, ficando aberto a sugestões, correcções, ou outras quaisquer acções que ajudem a melhorar a obra.
“Ficaria connosco para toda a vida, esta imagem de um homem de palavras e sabedoria doces como mel. Na singela perfeição daqueles momentos, entregues a um simples prazer, nunca poderíamos imaginar que aquele mel e aquele cerimonial de alegria seriam uma metáfora para o nosso relacionamento com o Avô (…) Cúmplices neste segredo de gerações, guardamos com o Avô estas doces memórias que incansavelmente saboreamos ao longo dos anos, as primeiras de muitas que entretanto iriam aparecer. Só por si, estas recordações seriam uma herança inestimável se nada mais ficasse da memória do Avô Mateus. Ficaram como uma lembrança perfeita da infância…”

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