Aproveitei estes dias de férias aqui por SJM para visitar o quintal do Avô Mateus com os meninos. Como habitual, fomos invadidos por aquele sentimento de aventura assim que cruzamos os portões de casa do Avô, tal como se estivéssemos prestes a entrar em território desconhecido. O quintal do Avô sempre cativou os netos pela sua natureza exótica. “Um pequeno jardim secreto que sempre explorávamos com o mesmo entusiasmo e fascínio,” foi como me ocorreu registar no livro a nossa admiração pelo local. Curiosamente, este fascínio parece ter despertado naturalmente nos bisnetos, que sempre se entregam a aventuras e explorações quando lá andam.
Seguindo o ritual antigo dos netos, sondei demoradamente todas as árvores e arbustos à procura dos tão saborosos frutos que o Avô sempre teve no seu quintal. Constantemente na companhia do M & A, procuramos os frutos como se de um tesouro se tratasse. Todo o esforço foi compensado, como sempre, desta vez em deliciosos morangos, amoras, fisális, maças, laranjas e ameixas. Para fugir ao abrasador sol de Agosto, sentei-me com os meninos no alívio da sombra de uma das árvores, onde juntos e descalços fizemos um banquete do fruto da nossa apanha. Da boca da Abi saiu um espontâneo e inocente “obrigado vovô Mateus.” Nada poderia ter sido dito com mais significado. O Avô, tal como as árvores de fruto do seu quintal, continua a deliciar-nos com as suas memórias e os frutos da sua vida.

Esboço feito durante a escrita do primeiro capítulo do livro - Sobre Árvores e Homens.
Por todas as aventuras passadas e presentes neste território tão fantástico, muitas delas em incursões lideradas pelo Avô, não podia deixar de parte esta Terra do Nunca no livro das memórias. Embora o capítulo sobre a casa do Avô e o seu jardim já esteja delineado, haverá sempre espaço para mais lembranças ou reflexões se estas surgirem. Fica desde já o desafio para todos.

6 comentários
Comentários feed para este artigo
2009/08/19 às 15:28
Alda Mateus
Eu também passeei entre as árvores deste quintal sempre tão bem cuidado. Marcos tirou uma foto, ainda menino, segurando um coelhinho pelas orelhas. Admirava o viço das hortaliças (a Tia Deolinda, por muito tempo, era quem cuidava do “campo”) e a profusão de frutos nos galhos da laranjeira; cheguei a ver a nogueira que ficava ao lado do muro da esquerda e tenho uma linda foto da macieira, ainda pequenina, cheinha de maçãs, o que me deixou encantada. Esta foto foi tirada da rua, quando o muro ainda era baixo e se divisava todo o quintal. Minha casa aí em S. João também chegou a ser adornada com as flores chamadas “jarro” que a Lilita me dava.
2009/08/27 às 11:47
daniela
não sei se se lembram mas há muitos anos atrás existiam videiras no terraço que foi demolido. E não sei se se lembram da nossa “brincadeirinha” favorita nesse local: tomar de assalto o quintal do avô (sempre com a sua permissão) para irritar uma certa senhora… e esconder-mo-nos nas ditas videiras!!!
Belos tempos de criança!!!!
2009/09/01 às 12:29
um certo neto
Quem não se lembra disso?? E das uvas que comíamos até cair para o lado? Uma das coisas mais interessantes desse terraço é que por baixo dele estava uma das primeiras oficinas do negócio do Avô e dos tios. Obviamente, tudo isto figura no relato do livro, com fotografias do interior da oficina, onde “homens e serras em alta rotação trabalhavam perigosamente perto.”
2009/09/22 às 14:38
Xico
É bom recordar os tempos… talvez não tão antigos como os já referidos… Existia umas escadas de ferro presas na parede (ao lado de uma porta que agora não existe),que nos davam passagem para o nosso barraco dentro de casa do avô. Onde passávamos algum tempo… Lembro-me de o avô nos avisar que não se podia ir para lá! mas como sempre tomávamos de assalto e la estávamos mais uma tarde… e quando nos via simplesmente sorria e perguntava, «hoje não vão para o tanque!?» ou «fechem a porta dos coelhos…» Havia também uma árvore ao pé da garagem (que também já não existe) fazia um fundo onde insistíamos em guardar os nossos segredos!! A casa do avô tinha algo que nos atraia, um local onde simplesmente me sentia bem… onde o respirar parecia melhor… Essa era a casa do avô… é interessante com se tornou de repente em só mais uma casa, em que a qualquer momento irá desaparecer. E a lembrança que fica não será mais fisicamente recordada…
2009/09/22 às 15:01
um certo neto
“onde o respirar parecia melhor…”
A singularidade da casa não poderia ter sido definida de melhor modo. Boa memória e bom pensamento!
A verdade é que o Avô era a alma da casa. Depois da partida do Avô ela continuou a ter o seu encanto, mas nunca mais o mesmo fascínio.
Obrigado Xico por estas palavras.
2009/09/22 às 23:44
AndréM
Sem dúvida que há lugares cujo significado nos envolve apenas porque alguém especial lá está presente e a na sua ausência, o que nos era harmonioso perde o seu calor e o seu sentido!
Uma casa é apenas uma casa, e a do avô apenas era especial pq ele lá estava. Agora, não deixando de ser um local de inegável prazer a sua visita, não passa de um frio e vazio aglomerado de tijolo devidamente ordenado, pincelado aqui e ali por recordações longínquas, mas tão presentes.
Foi bom partilhar e ler as vossas recordações sobre a casa do nosso avô!