Quando tudo parece ir bem e vida promete anos longos e cheios, somos bruscamente agredidos pela morte que assalta e ataca, ofende e humilha, separa e destrói, sem que possamos resistir à sua investida ou atrasar o seu avanço. Inesperadamente, a morte agrediu a nossa família e reclamou a vida do primo Alexandre.

No meio desta perda injustificada, assiste-nos o conforto das promessas do amor e presença de Deus e a esperança que a fé em Jesus nos garante. Ficamos com estas promessas e garantias, e uma vasta nuvem de boas memórias do nosso primo.

Os momentos passados entre os primos e o Avô combinam algumas das recordações mais fortes entre as memórias que juntei desde o início deste projecto. E por isso tive de escrever sobre elas e sobre os acontecimentos que as compõem. Num capítulo em particular, relembro os tempos que íamos a casa do Avô dormir e tudo o que isso significava para nós. Embora este episódios envolvam muitos dos primos, as imagens mais nítidas que tenho desses tempos são do Alexandre. Foi com ele que passei mais tempo na casa do Avô. Em conjunto criamos uma intimidade e cumplicidade com o Avô que vencia a barreiras das idades. Fazíamos a meditação com ele e, já depois de o deixar a dormir no seu quarto, entregávamo-nos à conversa que se estendia pelas horas mais longas da noite. Éramos companheiros numa viagem em que partilhávamos segredos, alegrias e receios, sem qualquer reserva.

Agradeço a Deus a memória deste passado partilhado com o Alexandre e pela oportunidade de o ter registado no livro. Não podia agora deixar de partilhar o esboço deste capítulo, que foi um dos que mais me emocionou a escrever. Embora não consiga transcrever o detalhe e intensidade das memórias que guardo do Avô e do Alexandre, acredito que pelo menos a evocação dessas imagens seja de algum conforto para quem ler.

Capítulo 12 – A Fresca Aragem da Noite (draft)

A morte investe contra o nosso corpo mortal, mas não tem poder para reclamar a alma daqueles que, pela fé em Jesus, a entregaram nas mãos de Deus. Tal como o Alexandre fez um dia…

“Jesus então declarou-lhe: Eu sou a ressurreição e a vida. O que crê em mim, mesmo que morra, há-de viver.”
(João 11:25)

Embora o início da nova estação seja hoje marcado pelo solstício de Inverno, o frio e chuva já a vem anunciando faz algum tempo. É nestes dias cinzentos e tristes que emergem as memórias da estação quente e dos seus longos dias de sol. Foi no espírito destas lembranças que finalizei mais um capítulo do livro, talvez um dos que mais demorou a ser redigido. Comecei a escrevê-lo no auge do Verão passado, sentado numa cama de uma das camaratas do Centro Bíblico de Esmoriz, banhado por um sol glorioso e refrescado pelo vento de norte que invadia o espaço.

As ideias iniciais foram amadurecendo durante os meses que passaram e, aos poucos, foi surgindo uma ligação evidente entre o Avô Mateus e as memórias (quase perfeitas) que guardo das semanas de acampamento dos verões passados naquele local. Numa aproximação mais elementar, pode-se dizer que estas memórias só existem por causa do trabalho do Avô e alguns amigos. Foram eles que em 1967 iniciaram a construção do acampamento, certamente com uma clara visão do futuro, mas ainda assim longe de imaginar o verdadeiro impacto que teria na vida de milhares de pessoas.

Este foi um dos capítulos que mais prazer deu escrever, ainda que não tenha sido o mais fácil. Descobrir o papel do Avô Mateus na construção do CBE e na sua manutenção ao longo de décadas foi uma descoberta tardia para mim e para os primos. Mas foi certamente uma das mais incríveis. Esta é talvez a obra do Avô que mais orgulho me dá.

O Avô Mateus fez uma casa na praia, não para si ou para os seus. Fê-la para todos. Por isso dei a este capítulo o sugestivo nome de “Uma Casa na Praia.”

Obras de construção do Centro Bíblico de Esmoriz

Dias cinzentos e frios trazem á memória outros dias… dias de calor e sol de um passado distante, de momentos que não vivemos, mas que ainda assim evocamos.

A recordação pode ser a preto e branco, mas a luz não deixa de ser irrepreensível. Faz lembrar os verões perfeitos e a alegria neles contida. O sorriso é momentâneo e intemporal, como se aquele instante nunca tivesse fim; Como se a vida fosse só um prelúdio para uma outra infinitamente mais perfeita e abundante; Como se viver o momento e ser feliz por ele fosse uma expressão de gratidão pela eternidade esperada.

Esta fotografia veio no meio de outras tantas descobertas recentemente. Foi tirada num dia de sol e calor, com os Avós no calor da vida. É perfeita.

Um dia de sol e calor na Ria de Aveiro

É verdade. Está quase a chegar ao fim o primeiro rascunho do livro. O silêncio que se instalou aqui no blog nas últimas semanas não foi de quietude. Deveu-se, antes, ao canalizar do pouco tempo disponível para a escrita do livro. O resultado é mais um capítulo terminado – um dos restantes 3 por finalizar. O capítulo agora concluído designa-se “Mais Perto Quero Estar”, numa óbvia alusão ao hino que tantas vezes ouvimos o Avô Mateus cantar. O capítulo começa numa manhã Domingo, mas não uma qualquer; na fria manhã de um Domingo em Novembro de 2008.

Entretanto finalizei também um primeiro esboço do Prefácio do livro. Comecei a escrevê-lo durante uma tarde passada no aeroporto de Frankfurt, enquanto espera ligação para Atenas, há umas semanas atrás. Sinto que ainda falta ali qualquer coisa, pelo que uma versão final do prefácio será mesmo a última coisa do livro a escrever.

Os dois capítulos em falta já estão também em processo de escrita e, se tudo correr pelo melhor, deverão estar concluídos dentro de algumas semanas. Depois faltará incorporar parte da nova informação coleccionada com a ajuda do blog. Feito isto, o primeiro rascunho do livro terá então chegado ao fim.

Resta ainda a salientar uma nova entrada na página “Momentos.” É um breve episódio passado no antigo Mercedes do Avô Mateus, relatado pela neta Sara. Como quase todos os momentos passados com o Avô naquele carro, este episódio é fantástico. Vale a pena visitar esta secção para o ler.

Faz amanhã um ano que o Avô Mateus partiu e para o lembrar, um dos netos juntou algumas imagens e publicou no seu blog. Vale a pena ver e ouvir…

http://3-acontaquealguemfez.blogspot.com/2009/11/memorias-do-avo-mateus.html

avo_eugenia_jovem

Se ainda estivesse entre nós, a Avó Eugénia celebraria hoje 90 anos numa festa partilhada com um dos filhos, o Tio David. Infelizmente, a Avó partiu no ano do seu 50º aniversário, pelo que faz hoje também 40 anos desde o dia que celebrou o seu último aniversário.

As referências à Avó Eugénia têm sido frequentes no decurso da escrita do livro. Embora ela tenha desaparecido cedo, manteve-se de alguma forma presente na vida do Avô até ao fim dos seus dias. Apesar das tentativas, ainda não consegui agregar um relato suficientemente organizado da vida do Avô Mateus ao lado da Avó. A falta de informação tem-me levado a desenhar com a imaginação os espaços deixados em branco pela falta de factos.

Por vezes imagino como teria sido a vida da nossa família se ela tivesse ficado ao lado do Avô por mais tempo. A minha maior interrogação, no entanto, está em saber como teria sido a relação entre os netos e a Avó. Sendo impossível de determinar, não é de todo impossível imaginar que teria sido uma experiência incrível. Disso não há a menor dúvida.

Às vezes sonho como seria entrar na cozinha do Avô e encontrá-lo lá com a Avó a cozinhar, receber deles os calorosos beijos de avós, sentar-me à mesa a comer ao seu lado, e sentir o olhar intenso que só as avós fazem quando os netos se deliciarem com a sua comida.

Olhando agora para trás e lembrando o nosso relacionamento com o Avô, é evidente que ele se esforçou por compensar a falta da Avó, dando-nos o amor e o afecto que teríamos encontrado nela.

A avaliar pelas recordações que ficaram, a Avó foi uma pessoa distinta em muitos aspectos, na sua simplicidade, beleza, simpatia mas, acima de tudo, na sua entrega aos outros. Dizem que era um exemplo de amor – uma manifestação simples e pura do amor de Deus.

As saudades de quem a conheceu devem ser imensas. Pelo menos a julgar pelas saudades de quem nunca a conheceu…

mateus_jovem
Como prometido há umas semanas atrás, serão aqui afixadas algumas fotografias que andavam escondidas à espera de serem descobertas. A primeira destas é uma fotografia do Avô Mateus muito jovem com um penteado de vanguarda. Não sei se por esta altura já teria experiência nas artes de barbeiro, profissão que exerceu em alguma altura da sua vida. Pelo menos a barba e o cabelo estão irrepreensivelmente compostos. Ele deve ter aprendido bem esse ofício porque, mesmo depois dos 80, ainda fazia a barba à navalha com uma destreza tal, que impressionava sempre o neto adolescente (que imóvel ficava a contemplar a proeza).

Entretanto chegaram do Brasil mais novidades pelas mãos da prima Alda, desta vez as alcunhas do Avô Mateus, dos seus irmãos e dos pais. Apesar da avançada idade, a Tia Micas ainda conseguiu lembrar grande parte delas. Pelo seu significado histórico familiar fica aqui a menção.

Pai – Zé da Volta • Mãe – Broa • Micas (Maria Augusta) – Gordalhufa • Adelaide – Laida • Margarida – Canoca e Choradeira da Eça • Deolinda – Linda • Emília – Sardona (a mulher do Sardão) • Albino – Açafate e Fogaça • Adriano – Rabanada e Abelha • José Maria – Patachão e Dois Garfos (porque comia com dois garfos) • Amadeu – Marreco

Para finalizar, a tão esperada alcunha do Avô Mateus. Era duas, na verdade, nenhuma lisonjeira: Maciinho e Burrico. Desconheço a origem de ambas e se foram apenas utilizadas em alguma época específica da vida do Avô. A escolha de diminutivos confere, ao mesmo tempo, um certo ar carinhoso e caricato, sugerindo que os nomes foram escolhidos com algum amor.

Não deixa de ser interessante, no entanto, a escolha do Burrico para alcunhar o Avô. Talvez tenha sido a sua teimosia – que ele reconhecia como um das suas principais falhas – a inspirar este sobrenome. Teimosia, determinação, perseverança ou firmeza, é impossível dizer ao certo quando uma disposição dava lugar a outra. Pelo menos uma coisa é certa… de burrico não parecia ter muito. A sua esperteza levou-o longe na sua carreira profissional e em tudo o resto.

Como nota pessoal, acho uma ironia a pessoa mais sabia que conheci ter a alcunha de Burrico. Até nisto a pessoa do Avô está rodeada de humor.

Talvez seja inexplicável como coisas infelizes nos podem fazer lembrar outras opostamente alegres. Talvez não passe de uma rara contradição. A semana passada, rica em tempo de antena daquele que já é conhecido como o idoso mais rancoroso de Portugal, trouxe consigo uma dessas contradições. Apesar da avançada idade do nosso distinto Nobel da Literatura, continua a mostrar apetência para surpreender (pela negativa) quase toda a gente.

Confesso que foi apanhado de surpresa. É certo que as suas palavras, atulhadas de falsa ignorância e intelectualidade desonesta, causam algum repúdio. Ainda assim, ao olhar para ele, para a sua postura e as suas linhas de rosto, e ao ouvir as suas frases abafadas nas últimas palavras, comecei aos poucos a desenvolver um contraditório sentimento de empatia.

Não demorei a perceber o motivo. As características evidentes da avançada idade fizeram-me lembrar o Avô Mateus. Aos poucos, o que era infeliz e triste foi dando lugar a uma boa recordação que, por breves momentos, aliviou a constante saudade do Avô. Mas as afinidades entre o Saramago e Avô Mateus ficaram-se por aí. Partilhando os jeitos e alguma postura da velhice, tudo o resto era divergente.

O Avô Mateus era dono de uma beleza rara. Os seus olhos azuis brilhavam e o seu permanente sorriso quente e genuíno cativava qualquer pessoa. O mesmo não se pode dizer do Saramago, dono de uma expressão pesada e feições agravadas por uma leve atitude de fúria. O Avô irradiava amor e tinha um sentido de humor excepcional; o senhor da televisão parecia imanar raiva e não ter um resquício de simpatia. Parecia até nem saber rir. O decano Saramago tem a sua obra lida por milhões de pessoas em todo o mundo. É, sem qualquer margem para dúvidas, uma personalidade de renome mundial. Na sua recatada fama, o Avô Mateus apenas era conhecido por um grupo modesto de pessoas. A sua obra, que o destacou claramente dos seus pares, foi ainda assim despretensiosa.

Como o Avô Mateus, incontáveis outros trilham o percurso dos seus dias sem reconhecimento internacional, fama ou outra qualquer distinção excepcional. No entanto, a sua dedicação a Deus e ao próximo, fazem com que o fruto da sua vida inspire, influencie e transforme a vida de milhares de pessoas, ainda que a grande maioria nunca venham a conhecer o seu nome. O Avô Mateus não escreveu obras literárias para levar a sua mensagem às pessoas. Em lugar disso, fez da sua vida uma obra – um poema de Deus – lido por todos que o conheceram. Não foram as suas palavras que moveram, foi a sua vida, o seu exemplo e o seu testemunho. Nunca apregoou a sua própria doutrina ou as suas ideias, mas unicamente a mensagem do Evangelho. Nunca foi movido pela raiva, mas sempre pelo amor. O Saramago é um pensador; o Avô Mateus era um sábio.

Ao ouvir o Saramago atacar tudo e todos que não atendam ao seu próprio credo, lembrei-me uma vez mais do provérbio que despertou a vontade de querer escrever um livro de memórias do Avô: “Os que seguem Deus são como uma árvore de vida.” Não pude também deixar de lembrar as primeiras palavras que escrevi para o livro, dedicadas a estas árvores de vida e ao seu valor. Escolhi para título deste capítulo inicial a expressão “Sobre Homens e Árvores.” Se escrevesse igual obra sobre o Saramago, teria que modificar este título para “Sobre Homens e Cactos.”

Na aridez que caracteriza tantas vezes a nossa existência, tal como nas paisagens desoladas de um deserto, os cactos são uma visão comum, um objecto de uma desesperante monotonia. Pouco mais oferecem que espinhos e uma sombra ridícula. A sua proximidade é desaconselhada, como advertem os seus aguçados picos. As árvores, por outro lado, são sinais de vida e esperança. À sua sombra o viajante, cansado e batido pelo sol impiedoso, encontra alívio. Nos seus frutos sacia a fome e sede. As árvores dão alento para continuar a longa e difícil jornada. Os cactos enfatizam o desespero.

O Saramago é um cacto. A sua presença é notada e a sua voz ouvida, mas nada tem para oferecer a quem procura consolo ou busca a verdade. Só se aproxima dele quem é suficientemente louco para receber um doloroso abraço. As suas palavras ferem qualquer um. As árvores gostam da proximidade, e juntas fazem um oásis. Aos cactos está destinado o isolamento.

O Avô Mateus era tudo aquilo que o Saramago nunca virá a ser – uma árvore de vida. O prémio pelas suas obras, atestado por Deus e não homens, é infinitamente superior a um Nobel. O Avô Mateus era um homem humilde com uma vida simples. Com a sua simplicidade e humildade sempre desarmou todas as aparências de importância dos “Saramagos” que com ele se cruzaram.

Teria sido interessante assistir a uma conversa entre ele e o Saramago.

“Deus escolheu aqueles que os homens tinham por ignorantes para envergonhar os sábios e aqueles que os homens tinham por fracos para envergonhar os fortes. Deus escolheu os que no mundo não têm importância nem valor para deitar abaixo os que parecem importantes.”
(1 Coríntios 1:27,28)

As últimas semanas foram particularmente proveitosas no que toca a novas imagens do Avô, não tanto pelo número de novas fotografias encontradas, mas pelo seu significado e idade. As mais interessantes serão aqui apresentadas em breve, juntamente com um pequeno (ou não-tão-pequeno) comentário. Juntam-se a este lote algumas imagens recentes enviadas pela Prima Alda que, no seu esforço incansável de contribuir para este projecto, conseguiu uma vez mais surpreender com as suas fotografias. E é neste contexto que decidi escrever estas linhas.

Neste novo conjunto houve uma fotografia muito especial que me lembrou o humor e boa disposição do Avô Mateus. É um raro momento de diversão que revela a sua habitual boa disposição e apetência para o divertimento. Nesta imagem, tirada durante um momento de descontracção em casa da neta Daniela, o Avô está com o seu “sorriso de marca” e com a sua habitual postura descontraída. O detalhe precioso da fotografia é garrafa de cerveja na mão do Avô, que sugere que foi apanhado a beber em flagrante enquanto assistia à bola, confortavelmente sentado no sofá. Nota-se que o Avô alinhou na brincadeira e isso torna tudo mais interessante. A imagem pode chocar os mais cinzentos, mas a vida é mesmo assim.

Um momento descontraído em casa da neta Daniela (4 de Julho de 2006)

Um momento descontraído em casa da neta Daniela (4 de Julho de 2006)

Sem querer avançar muito nestas matérias, uma vez que no livro recebem a devida atenção, não posso deixar de salientar que o sorriso natural – que definia os traços faciais do Avô – e a sua boa disposição, resultavam de uma mistura de um coração alegre e uma liberdade de preconceitos sobre a sua imagem e sobre o que os outros poderiam pensar dele. Como o Avô sempre dizia, o que importa é agradar a Deus, não aos homens. Com a sua maneira de estar na vida, o Avô mostrava que Deus não tem a natureza cinzenta e aborrecida que geralmente lhe é atribuída.

O seu “sorriso de marca”, a sua habitual boa disposição e o seu humor inigualável são um dos temas centrais do livro, reemergindo um pouco por todo o lado ao longo da narrativa. Alguns capítulos lidam exclusivamente com esta faceta do Avô e com várias histórias a ela ligadas, algumas delas em episódios pessoais, outras em acontecimentos que envolvem várias pessoas (quase sempre os netos, porque era junto destes que o Avô permitia que o seu bom humor andasse completamente livre).

Por agora fica a imagem e a calorosa lembrança do sorriso do Avô e da sua alegria contagiante.

“Um rosto alegre traduz a felicidade dum coração.”
(Provérbios 15:13)

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Esta fotografia, tirada o ano passado no dia de aniversário do Avô, captou o raro momento de alegria absoluta que acontece quando o amor explode e une dois corações distanciados 90 anos.  Mais tarde, ao ver as fotografias daquele dia, percebi que o Avô Mateus ainda teve a invulgar oportunidade de se apaixonar no fim do seu tempo. Apaixonou-se por todos os bisnetos e fez questão de viver e mostrar esse amor.

Para lembrar esse amor, escrevi um curto capítulo designado de Amores de última hora, uma débil tentativa de cristalizar essas manifestações de afecto.

Se ainda estivesse deste lado da vida, o Avô iria celebrar hoje o seu 93º aniversário. Como habitualmente, familiares e amigos estariam ao seu lado a festejar. Para que se saiba, a celebração nunca foi devido ao Avô completar mais um ano, mas antes pelo simples privilégio de o termos connosco durante esse período. Hoje é a primeira vez em décadas que este ritual não se vai repetir. Ainda assim, a data é lembrada para quem o Avô Mateus continua a ser uma presença constante nas suas mentes e corações.

Ao longo de décadas, enquanto a família crescia, o Avô Mateus esforçou-se por reforçar os laços familiares e manter uma unidade que desfiou todas as expectativas. Era o núcleo em torno do qual todos nós gravitávamos, o centro do nosso sistema solar, um sol que nos mantinha presos a si pela força atractiva do seu amor e nos iluminava com a sua luz. A sua presença orientou tantos e evitou que alguns, sem rumo, se perdessem num universo vazio. Acima de tudo, ele evitou que a família fosse um grupo disperso, desligado e disfuncional de pessoas. Ele lembrava-se constantemente de todos nós nas suas orações, e pedia a Deus para nos guardar, fortalecer e dar sabedoria. Para nós, o Avô era a presença visível de Deus na família, do seu cuidado e protecção, das suas incontáveis dádivas.

Não era difícil imaginar que se o Avô não estivesse presente, o nosso sistema familiar, na sua típica complexidade, começaria a perder a sua ordem aos poucos. Sem uma força gravítica suficientemente forte para manter os planetas numa órbita fixa, estes acabam por derivar pelo espaço. Com a partida do Avô e da força do seu amor, a família parece agora divagar insegura no vazio, sem rumo certo, sem um referencial para se orientar. E é por isso tão importante continuar a lembrar o Avô e aquilo que ele representava para nós.

Em relação ao seu aniversário, foi num deles que compôs um poema, um dos poucos registos pessoais e íntimos que deixou escrito. Colado durante anos nas costas de uma fotografia, esteve lá à espera de ser descoberto, o que veio a acontecer há pouco tempo. A fotografia foi tirada no último aniversário que o Avô celebrou na companhia da Avó. Estão lado a lado na sua casa, com o ar alegre de quem tem no colo o primeiro neto. É uma imagem interessante – umas das primeiras a cores do Avô – mas foi a grossura do papel da fotografia que mais me despertou o interesse. Por curiosidade, voltei a fotografia para ver que papel era aquele e, inesperadamente, encontrei um poema escrito pelo Avô no lado de trás.

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Poema escrito pelo Avô Mateus no dia do seu aniversário a 29 de Setembro de 1984

Foi provavelmente uma das descobertas mais significativas desde que comecei a procurar fotografias e outros documentos relacionados com o Avô. No poema, o Avô compara o seu último aniversário ao lado da Avó em 1969, com o que vivia no momento que escreveu aquelas linhas em 1984. Quinze anos haviam passado e as saudades pareciam ser tantas como se tivessem passados apenas 15 dias. Hoje faz vinte e cinco anos desde que o Avô escreveu aquelas linhas, e quarenta desde que celebrou o seu último aniversário ao lado da Avó. Hoje, finalmente, pode celebrar de novo na sua companhia.

O poema é um lamento e é impossível sondar o que ia na alma do Avô. As suas palavras carregam uma atmosfera algo sombria, como se uma nuvem de saudade e tristeza toldasse a luz da esperança. As palavras acusam a dor da perda irreparável da companheira da sua juventude, da perda de uma parte de si mesmo. Independentemente das intenções, uma coisa é certa, o poema foi escrito com lágrimas. Neste mesmo dia, há dez anos atrás, numa longa conversa durante a sua festa, o Avô lembrou a Avó e disse-me: “No dia em que a tua avó morreu, a minha vida acabou, deixou de ter significado. Acabou a minha alegria.”

O Avô viveu até ao fim dos seus dias com esta dor crónica da alma – a saudade permanente da Avó – invadido por um desejo esmagador de a poder ver outra vez, de a abraçar e beijar, nem que fosse por breves instantes. Parece que a sua data de aniversário era uma forte lembrança dos anos que o afastavam da Avó.

Estes dois pensamentos revelam que o amor pela Avó sempre ardeu no seu coração. Ainda que íntimos, merecem ser revelados, somente porque confessam a sua fragilidade e, ao mesmo tempo, mostram a incrível força que o ajudou a aguentar a separação. E anunciam que foi um outro amor que eventualmente acabou por conquistar o seu coração e fazê-lo feliz – o amor de Deus.

“Põe-me como um selo sobre o teu coração, como uma aliança, permanentemente; porque o amor é forte como a morte…”
(Cantares de Salomão 8:6)

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Duas novas fotografias fazem agora parte do arquivo de imagens do Avô. A simples satisfação de as ter conseguido faz-me colocá-las aqui para todos verem, mas não sem uma pequena nota sobre elas.

A mais recente foi recolhida do escritório do meu pai, onde sempre esteve à vista de todos desde o Natal de 2005, quando o Avô ofereceu uma igual a todos os filhos. Curiosamente, só agora me lembrei que seria uma boa imagem para adicionar ao blog e, posteriormente, ao livro. Apesar de ter sido um presente dado em 2005, a fotografia deve ter sido tirada no final da década de 90.

A mais antiga já me era familiar. Desde sempre esteve na sala de casa do Avô, cuidadosamente colocada ao lado de uma fotografia da Avó Eugénia, em molduras gémeas. As fotografias, tiradas talvez na década de 40, conseguiram captar a beleza e amor que brilham nas suas caras. A fotografia da Avó já a tinha conseguido através do vasto espólio fotográfico compilado pelo Tio Josias, mas não a do Avô.

Cada vez que olhava para a fotografia sabia que a tinha que incluir no livro. E então, num qualquer dia das últimas semanas, numa ocasião propícia, aproveitando uma visita inocente a casa do Avô, subi ao andar de cima e, sem qualquer gesto suspeito, removi a fotografia da moldura e trouxe-a comigo. Foi uma espécie de furto muito pouco qualificado, mas por uma muito boa causa. Prometo devolvê-la agora que a digitalizei.

É sempre bom quando alguém partilha uma história nova sobre o Avô, revela um detalhe desconhecido até ao momento, ou relembra uma informação entretanto esquecida. Mas a maior surpresa acontece quando, inesperadamente, surge uma fotografia de “outros tempos” desconhecida até aí.

E foi isso que aconteceu ontem, quando recebi por email um par de fotografia enviadas pela prima Alda, que vive mesmo ao lado do Tio Zé no Rio de Janeiro. As fotografias são antigas, e uma delas (em baixo) é provavelmente a mais antiga fotografia do Avô Mateus que consegui encontrar até agora.

A fotografia foi tirada à porta de um “salão protestante,” o equivalente na altura à designação actual de “igreja protestante.” A data é incerta mas, a calcular pelos relatos do livro do Tio Zé (já aqui falado), deve ter sido tirada entre 1943 e 1945. Pela longa chaminé que se vê no lado esquerdo da fotografia, não é difícil perceber que se trata de S. João da Madeira. No meio da multidão é difícil encontrar o Avô Mateus e eu próprio não consigo identificá-lo com certeza. Mas ele está lá e a prima Alda sugere que é o rapaz que se vê em pé quase no meio da fotografia, mesmo em frente à porta, de fato escuro e gravata clara. As feições do rosto e o penteado assim o sugerem. É também possível ver o Tio Zé, cuja forte presença parece dominar a fotografia. É o primeiro “moço” ajoelhado à direita na fila da frente.

Obrigado Alda por esta janela para o passado. É um tesouro.

Á porta de um "salão protestante" (S. João da Madeira, 1943 - 45?)

À porta de um "salão protestante" (S. João da Madeira, 1943 - 45?)

Esta manhã, enquanto conduzia para o trabalho, vim a ouvir o álbum “Soul Anchor” do músico norte-americano Michael Card. Este álbum, como todos os outros deste autor, é um ensaio teológico que, neste caso, tem a Epístola aos Hebreus (Novo Testamento) como tema.

Distraído pelos ares de fim de verão, expectante em relação ao trânsito e já ligeiramente desligado da música, seria improvável que algo nela me levasse de volta às memórias do Avô. Mas então, com as primeiras notas de piano da música “Never will I leave you,” despertou uma das lembranças mais fortes do Avô, daquelas que geralmente se manifestam espontaneamente em lágrimas (os interessados podem ouvir a múcica aqui). O refrão da música repete a promessa de Deus “nunca te abandonarei,” feita a todos aqueles que escolhem segui-lo. Foi escrita para um grupo de cristãos hebreus que se escondiam em Roma. Muitos que a ouviram pela primeira vez enfrentaram a morte às mãos dos gladiadores ou devorados pelas feras no coliseu, no meio dos clamores de multidões delirantes, mas seguros nesta promessa eterna.

Entre todas as lembranças que tenho do Avô a citar as escrituras – e o volume de passagens memorizadas era impressionante – este versículo poderia destacar-se pela sua aparente simplicidade. Mas o que o destacou foi o modo como soavam estas palavras na boca do Avô. “Nunca te deixarei, nem te abandonarei…” Quando o mencionava, não era numa atitude repetitiva e mecânica de reprodução de texto. O Avô costumava citar este versículo quando falava de momentos difíceis que havia passado, que estava a passar, ou sabia estarem para vir.

Olhando para a vida do Avô com todo o seu historial de sofrimento e tribulações (muitos delas estarão relatadas no livro), não é difícil perceber como este versículo, esta certeza inabalável, se tornou tão importante para ele – foi a sua promessa que o manteve firme nas condições impossíveis. Sofrer sozinho é a pior forma de sofrimento. O Avô nunca sofreu sozinho, embora muitas vezes tenha sofrido em silêncio e só.

Para alguns dos netos esta promessa tornou-se o versículo que melhor define o Avô. Ele fez questão que o soubéssemos e nunca esquecêssemos este incrível juramento de amor.

“Não permitam que a paixão do dinheiro vos domine. Contentem-se com o que têm, porque o próprio Deus nos prometeu: Nunca te deixarei, nem te abandonarei. É por isso que podemos dizer confiadamente: O Senhor é quem me ajuda: Não tenho medo de nada! Que mal me poderão fazer os homens?” (Hebreus 13:5,6)

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O Avô na igreja em Cucujães (12/04/2004)

São tantas as memórias do Avô que seria impossível compilar todas num só livro. São tão preciosos estes momentos que seria impensável não os guardar. Embora não estejam necessariamente dentro do âmbito do livro, muitas destas histórias de familiares e amigos que envolvem o Avô merecem ser preservadas. Como repositório destes instantes, este blog conta a partir de hoje com uma nova página, sugestivamente rotulada de Momentos.

Qualquer pessoa poderá ter o seu momento aqui publicado. Poderá ser na forma de fotografias, pequenos filmes ou texto, que deverá ser enviado para davi.misael@gmail.com.

As férias foram óptimas para o trabalho do livro. Com mais algum tempo livre do que o habitual, surgiu a oportunidade de trabalhar em alguns capítulos que estavam já em avançado estado de concretização, na tentativa de os finalizar. Houve também oportunidade para finalmente começar outros capítulos que já andavam a ser escritos na mente há algum tempo.

Mas as férias trouxeram ainda algo mais… imensas oportunidades de conversa com familiares e amigos. Destes encontros saiu muito material para o livro: mais histórias, referências temporais e detalhes de outros tantos episódios. A tudo isto, junta-se ainda a descoberta de alguns documentos relevantes. Agora está tudo a ser devidamente analisado e processado para ser incorporado no livro.

Parte dessa informação recolhida será tema das próximas entradas do blog e irá ser utilizada para expandir a secção “Viagem pelo Tempo” do Avô. Por isso, mantenham-se atentos (e participativos).

Durante o mês de Agosto encontrei algo especial na minha caixa de correio – uma carta da Sociedade Bíblica de Portugal, assinada por um bom amigo, com um certificado de participação no Projecto A Bíblia Manuscrita em 2004. Como eu, milhares de pessoas receberam uma carta semelhante. Aparentemente, esta ocorrência em pleno mês de férias nenhuma relação parece ter com o Avô Mateus. Mas assim não é. Talvez poucos ainda se lembrem, mas a imagem do Avô Mateus foi utilizada na campanha de divulgação do evento. Não deixa de ser curioso que, alguém que tanto amor tinha pela Palavra de Deus, acabasse por dar a cara por ela.

Seria impensável falar do Avô omitindo esta faceta da sua personalidade. Foi seguramente uma das mais importantes, senão a mais importante. O seu conhecimento das escrituras era admirável e, entre outras coisas, sabia de memórias inúmeras passagens. A sua sabedoria nasceu e crescia das longas horas que passava a ler a Bíblia.

O que começou por ser um capítulo do livro com apenas algumas anotações sobre a relação do Avô com a Palavra, acabou por se transformar num dos mais extensos escritos até agora, o que em si é revelador da importância deste sentimento do Avô. Aos poucos, durante a escrita, umas recordações foram dando lugar a outras, acabando numa torrente de memórias em torno do amor do Avô pela Palavra. De uma forma natural, o capítulo ficou com o nome “O Amor pela Palavra.” Ainda há muito a acrescentar ao que já está escrito e, como tudo o resto no livro, este segmento fica á espera de contribuições.

Fotografia do Avô Mateus utilizada em 2004 na campanha publicitária do projecto nacional A Bíblia Manuscrita.

Fotografia do Avô Mateus utilizada em 2004 na campanha de divulgação do projecto nacional A Bíblia Manuscrita (© R. Mateus)

Aproveitei estes dias de férias aqui por SJM para visitar o quintal do Avô Mateus com os meninos. Como habitual, fomos invadidos por aquele sentimento de aventura assim que cruzamos os portões de casa do Avô, tal como se estivéssemos prestes a entrar em território desconhecido. O quintal do Avô sempre cativou os netos pela sua natureza exótica. “Um pequeno jardim secreto que sempre explorávamos com o mesmo entusiasmo e fascínio,” foi como me ocorreu registar no livro a nossa admiração pelo local. Curiosamente, este fascínio parece ter despertado naturalmente nos bisnetos, que sempre se entregam a aventuras e explorações quando lá andam.
Seguindo o ritual antigo dos netos, sondei demoradamente todas as árvores e arbustos à procura dos tão saborosos frutos que o Avô sempre teve no seu quintal. Constantemente na companhia do M & A, procuramos os frutos como se de um tesouro se tratasse. Todo o esforço foi compensado, como sempre, desta vez em deliciosos morangos, amoras, fisális, maças, laranjas e ameixas. Para fugir ao abrasador sol de Agosto, sentei-me com os meninos no alívio da sombra de uma das árvores, onde juntos e descalços fizemos um banquete do fruto da nossa apanha. Da boca da Abi saiu um espontâneo e inocente “obrigado vovô Mateus.” Nada poderia ter sido dito com mais significado. O Avô, tal como as árvores de fruto do seu quintal, continua a deliciar-nos com as suas memórias e os frutos da sua vida.
Por todas as aventuras passadas e presentes neste território tão fantástico, muitas delas em incursões lideradas pelo Avô, não podia deixar de parte esta Terra do Nunca no livro das memórias. Embora o capítulo sobre a casa do Avô e o seu jardim já esteja delineado, haverá sempre espaço para mais lembranças ou reflexões se estas surgirem. Fica desde já o desafio para todos.

Aproveitei estes dias de férias aqui por SJM para visitar o quintal do Avô Mateus com os meninos. Como habitual, fomos invadidos por aquele sentimento de aventura assim que cruzamos os portões de casa do Avô, tal como se estivéssemos prestes a entrar em território desconhecido. O quintal do Avô sempre cativou os netos pela sua natureza exótica. “Um pequeno jardim secreto que sempre explorávamos com o mesmo entusiasmo e fascínio,” foi como me ocorreu registar no livro a nossa admiração pelo local. Curiosamente, este fascínio parece ter despertado naturalmente nos bisnetos, que sempre se entregam a aventuras e explorações quando lá andam.

Seguindo o ritual antigo dos netos, sondei demoradamente todas as árvores e arbustos à procura dos tão saborosos frutos que o Avô sempre teve no seu quintal. Constantemente na companhia do M & A, procuramos os frutos como se de um tesouro se tratasse. Todo o esforço foi compensado, como sempre, desta vez em deliciosos morangos, amoras, fisális, maças, laranjas e ameixas. Para fugir ao abrasador sol de Agosto, sentei-me com os meninos no alívio da sombra de uma das árvores, onde juntos e descalços fizemos um banquete do fruto da nossa apanha. Da boca da Abi saiu um espontâneo e inocente “obrigado vovô Mateus.” Nada poderia ter sido dito com mais significado. O Avô, tal como as árvores de fruto do seu quintal, continua a deliciar-nos com as suas memórias e os frutos da sua vida.

Esboço feito durante a escrita do primeiro capítulo do livro - Sobre Árvores e Homens.

Esboço feito durante a escrita do primeiro capítulo do livro - Sobre Árvores e Homens.

Por todas as aventuras passadas e presentes neste território tão fantástico, muitas delas em incursões lideradas pelo Avô, não podia deixar de parte esta Terra do Nunca no livro das memórias. Embora o capítulo sobre a casa do Avô e o seu jardim já esteja delineado, haverá sempre espaço para mais lembranças ou reflexões se estas surgirem. Fica desde já o desafio para todos.

O Tio Zé (do Brasil)

O Tio Zé (do Brasil)

Entre os doze irmãos e irmãs do Avô, um sempre ocupou um lugar especial no seu coração – o tio Zé. E por isso não podia deixar de escrever sobre este relacionamento especial.

Há uns meses atrás, pedi à prima Alda que está no Brasil para tentar falar com o tio Zé, na tentativa de obter mais informação sobre o passado do Avô. Acabei por descobrir que o tio Zé escreveu em 2004 um pequeno livro com muitas das suas memórias, e que a prima Alda – sempre disposta a ajudar neste projecto – estava a fazer tudo para que um exemplar me chegasse às mãos rapidamente. Confesso que a espera de apenas algumas semanas foi longa, tal era o desejo de poder ler as memórias do tio Zé. Mas valeu a pena todo o tempo de espera!

Ontem, de uma forma inesperada, recebi finalmente o livro. E entretanto já o li. Nele, o tio Zé relata o percurso da sua vida, de uma forma simples e em traços largos. Como não podia deixar de ser, o Avô Mateus é mencionado e a informação que eu tanto desejava está lá. O tio Zé explica como o Avô Mateus se envolveu com os “evangélicos” e como ele próprio, num esforço de trazer o Chico de volta ao caminho da religião dominante, acabou também por se envolver.

Muitos elementos do livro do tio Zé serão uma ajuda preciosa na tentativa de traçar o percurso do Avô. Pela singularidade do percurso de vida de ambos, em tantas coisas semelhante, decidi dedicar um capítulo do livro aos dois irmãos – duas árvores de vida. O capítulo tem como título “O Chico e o Zé,” numa afectuosa alusão ao modo como eram tratados pelos irmãos. O capítulo já está escrito há alguns meses e vai agora ser significativamente melhorado com a ajuda do trabalho do tio Zé e a dedicação da prima Alda.

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O Chico e o Zé no seu último encontro a 1 de Outubro de 2007 à porta de casa do Avô Mateus

Avó Eugénia

Avó Eugénia

Nenhum dos netos teve o privilégio de conhecer a Avó Eugénia. Mesmo o mais velho de nós, o Daniel, o único que a Avó teve oportunidade de pegar ao colo e acariciar, era na altura muito novo para poder guardar qualquer impressão desses afectos. Ainda assim, a Avó faz parte da nossa história e da nossa vida. Crescemos a ouvir falar da mulher excepcional que era, o que não deixou de nos impressionar e inspirar. A julgar pelas palavras do Avô, tios e amigos, a Avó era uma pessoa amada e um exemplo do amor em acção – um amor que era sempre grande e sentido nas pequenas coisas do quotidiano.
A Avó foi o grande amor do Avô – a verdadeira história de amor da sua vida. Mesmo depois de ter partido continuou a moldar a personalidade do Avô. Falar do Avô sem lembrar a Avó é por isso impossível. Ela esteve sempre presente até ao fim dos dias do Avô, na sua mente e no seu coração, numa saudade crónica, em parte aliviada pela certeza do reencontro eterno.
A morte nunca os separou, nem as pequenas coisas da vida. O Avô continuou a sua depois da Avó partir e, como ele mesmo reconhecia, nem sempre da melhor forma no que respeita às coisas do coração. Mas as escolhas que tomou nessas matérias, e que tantas críticas atraíram, não foram por esquecimento desse amor primordial ou por desconsideração, mas antes pela confusão emocional que o assaltou depois da separação da sua amada. “O coração tem razões que a própria razão desconhece,” escreveu o brilhante filósofo e matemático Blaize Pascal. Como cristão esclarecido, ele sabia que a natureza humana leva-nos, inexplicavelmente, a trilhar alguns rumos invulgares. A razão humana pode nunca conseguir explicar o rumo do coração do Avô. O próprio Avô não conseguia.
Se algumas das vozes que se levantaram contra ele tivessem trocado o discurso da condenação pelo da consolação, talvez as coisas tivesses sido diferentes. Poucos tentaram perceber a tragédia de perder uma esposa de repente e ficar só com uma casa cheia de filhos para governar.
Seria impossível contornar estes aspectos ao escrever as memórias do Avô, especialmente o do papel da Avó Eugénia. Em relação a ela, socorri-me das memórias partilhadas de quem a conheceu e amou. As poucas que consegui coleccionar fazem-me querer saber muito mais. Dedico um capítulo do livro ao relacionamento do Avô e da Avó que designei de “1969” – o ano em que a Avó partiu e a vida do Avô e dos tios mudou radicalmente.
Tive a oportunidade de saber pela boca do Avô Mateus o que ele sentia pela Avó, num “segredo” revelado durante a festa do seu 84º aniversário. O segredo deixou de o ser naquele momento… o Avô tinha de o desvendar. E por isso incluí-o no livro.

Nenhum dos netos teve o privilégio de conhecer a Avó Eugénia. Mesmo o mais velho de nós, o Daniel, o único que a Avó teve oportunidade de pegar ao colo e acariciar, era na altura muito novo para poder guardar qualquer impressão desses afectos. Ainda assim, a Avó faz parte da nossa história e da nossa vida. Crescemos a ouvir falar da mulher excepcional que era, o que não deixou de nos impressionar e inspirar. A julgar pelas palavras do Avô, tios e amigos, a Avó era uma pessoa amada e um exemplo do amor em acção – um amor que era sempre grande e sentido nas pequenas coisas do quotidiano.

A Avó foi o grande amor do Avô – a verdadeira história de amor da sua vida. Mesmo depois de ter partido continuou a moldar a personalidade do Avô. Falar do Avô sem lembrar a Avó é por isso impossível. Ela esteve sempre presente até ao fim dos dias do Avô, na sua mente e no seu coração, numa saudade crónica, em parte aliviada pela certeza do reencontro eterno.

A morte nunca os separou, nem as pequenas coisas da vida. O Avô continuou a sua depois da Avó partir e, como ele mesmo reconhecia, nem sempre da melhor forma no que respeita às coisas do coração. Mas as escolhas que tomou nessas matérias, e que tantas críticas atraíram, não foram por esquecimento desse amor primordial ou por desconsideração, mas antes pela confusão emocional que o assaltou depois da separação da sua amada. “O coração tem razões que a própria razão desconhece,” escreveu o brilhante filósofo e matemático Blaize Pascal. Como cristão esclarecido, ele sabia que a natureza humana leva-nos, inexplicavelmente, a trilhar alguns rumos invulgares. A razão humana pode nunca conseguir explicar o rumo do coração do Avô. O próprio Avô não conseguia.

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O casal Mateus

Se algumas das vozes que se levantaram contra ele tivessem trocado o discurso da condenação pelo da consolação, talvez as coisas tivesses sido diferentes. Poucos tentaram perceber a tragédia de perder uma esposa de repente e ficar só com uma casa cheia de filhos para governar.

Seria impossível contornar estes aspectos ao escrever as memórias do Avô, especialmente o do papel da Avó Eugénia. Em relação a ela, socorri-me das memórias partilhadas de quem a conheceu e amou. As poucas que consegui coleccionar fazem-me querer saber muito mais. Dedico um capítulo do livro ao relacionamento do Avô e da Avó que designei de “1969” – o ano em que a Avó partiu e a vida do Avô e dos tios mudou radicalmente.

Tive a oportunidade de saber pela boca do Avô Mateus o que ele sentia pela Avó, num “segredo” revelado durante a festa do seu 84º aniversário. O segredo deixou de o ser naquele momento… o Avô tinha de o desvendar. E por isso incluí-o no livro.

“Quem arranjar uma mulher virtuosa, é como se tivesse encontrado um tesouro de alto valor. O seu marido tem confiança nela, e os recursos materiais nunca lhe faltarão. Nunca se tornará um empecilho para o seu esposo; pelo contrário, sempre o ajudará a vida toda. (…) Os encantos femininos podem enganar; a beleza não dura sempre. Mas uma mulher que ama e teme Deus, essa merece todos os elogios. Será louvada por tudo o que faz, e os seus actos virtuosos serão reconhecidos publicamente.” (Provérbios 31:10-12,30,31)

Esta manhã, enquanto atravessava a ponte de autocarro e deixava o olhar nadar pelo Tejo a perder de vista, com as ideias a vaguear por recordações e sensações, dei comigo a pensar no tão querido Walter Alexander. Uma lembrança recorrente mas sempre preciosa. Invariavelmente, à sua recordação vem sempre associada uma outra, as últimas palavras do Salmo 19 com as quais ele sempre termina as suas orações. Estas memórias estão tão intimamente ligadas que é impossível dizer onde uma acaba para dar lugar à outra.

O Avô Mateus e o Walter tinham um respeito e admiração mútua, conquistado e acarinhado por anos de cumplicidade no temor e amor a Deus. Eram amigos de longa data, ainda que para o Avô o Walter fosse um “rapaz novo.” Eram igualmente um exemplo para os crentes nas palavras, na conduta, no amor, na fé e na pureza. O Avô falava muito dele e do seu trabalho, e sempre fez tudo ao seu alcance para o apoiar. Partilhavam uma natureza semelhante no que toca à sabedoria, amor pela Palavra e dedicação a Deus. E no sentido de humor.

Só conheci o Walter quando ele regressou a Portugal já na década de 90 e veio morar para S. João da Madeira. Descobri por essa altura que ele e a Elizabeth já tinham estado em Portugal muitos anos antes a colaborar com várias igrejas. Desde então eram vistos como exemplos e fonte de inspiração. O Avô Mateus lembrava-me isso frequentemente, e não poucas vezes da sua eloquência na pregação da palavra e na exortação. Um dom admirável que o Avô tanto apreciava.

Por vezes, ao olhar para as fotografias daquele tempo, tento encontrar os rostos – distintos pela sua beleza – do casal escocês que tantas pessoas marcou. E ainda marca, é certo. Até agora ainda não os consegui encontrar. Deixo aqui um pedido de partilha para quem tenha alguma fotografia do Walter e da Elizabeth em Portugal, ou onde o Avô Mateus e o Walter apareçam juntos.

Espero ainda conhecer algumas dessas histórias onde o Avô e o Walter se cruzam. Espero ter o privilégio de ouvi-las pela boca do próprio Walter.

“Que as minhas palavras te sejam agradáveis, assim como os pensamentos do meu coração, Senhor, minha rocha e meu libertador!” (Salmos 19:14)

Baptismo da Bisavó Ludovina Rosa de Jesus, mãe do Avô Mateus (Rio Vouga, Cacia)

Baptismo da Bisavó Ludovina Rosa de Jesus, mãe do Avô Mateus (Rio Vouga, Cacia, por volta de 1964-65)

Provavelmente muitos já tenham esquecido, mas um dos momentos mais emocionantes da vida do Avô Mateus está registado nesta fotografia. Não podia, portanto, deixar de mostrar aqui uma raridade de tamanha importância. Esta fotografia foi tirada no exacto momento em que a sua mãe, Ludovina Rosa de Jesus, imergiu das águas após o seu baptismo. A Bisavó Ludovina tinha então uma idade a rondar os 90 anos e quase igual número de quilos. O peso e a idade, ou a combinação dos dois, não tinham sido impedimento, um pormenor que o Avô sempre enfatizava.

O Avô falava deste momento com uma comoção tal que os seus olhos brilhavam pelas lágrimas de alegria que facilmente afloravam. Foi o culminar de uma vida que, próxima do seu desfecho, se rendeu ao amor de Deus. Durante décadas, o Avô esperou que este momento e orou fervorosamente para o poder testemunhar.

Esta é uma das duas fotografias que o Avô mais vezes me mostrou e sobre as quais mais falava. A outra será aqui apresentada em breve.

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Desenho do livro de notas do autor (entretanto a neta Daniela observou - com razão - que e a tampa do frasco está mal representada, uma vez que a original era mais larga)

No fim-de-semana passado tive a felicidade de encontrar um dos meus alimentos favoritos – favos de mel. Como qualquer iguaria, esta não é menos rara e difícil de apanhar. Como tudo que é exótico, é também adquirida a um preço acima do seu valor real. Mas vale a pena, não só pelo sabor, mas pelas memórias que desperta. Invariavelmente, sempre que sinto o aroma ou paladar do mel, lembro-me do Avô Mateus. Este reflexo condicionado, partilhado por muitos dos netos, foi adquirido ao longo de anos, de tantos que foram os famosos lanches de bolachas com mel na cozinha do Avô. Estas memórias devem ser as primeiras e mais belas que temos do Avô.

Curiosamente foi com esta memória partilhada que comecei o esboço do livro, e foi também o primeiro capítulo que escrevi, de nome “Doces Memórias.” Define o estilo para todo o livro.

Como o trabalho ainda vai na forma de “versão preliminar,” qualquer detalhe adicional dos participantes pode revelar-se precioso.  Em jeito de aliciação, deixo algumas linhas do final deste capítulo, ficando aberto a sugestões, correcções, ou outras quaisquer acções que ajudem a melhorar a obra.

“Ficaria connosco para toda a vida, esta imagem de um homem de palavras e sabedoria doces como mel. Na singela perfeição daqueles momentos, entregues a um simples prazer, nunca poderíamos imaginar que aquele mel e aquele cerimonial de alegria seriam uma metáfora para o nosso relacionamento com o Avô (…) Cúmplices neste segredo de gerações, guardamos com o Avô estas doces memórias que incansavelmente saboreamos ao longo dos anos, as primeiras de muitas que entretanto iriam aparecer. Só por si, estas recordações seriam uma herança inestimável se nada mais ficasse da memória do Avô Mateus. Ficaram como uma lembrança perfeita da infância…”

Esta entrada serve apenas para salientar a criação de uma nova página neste blog (ver menu horizontal acima), que pretende ser uma tentativa para definir o percurso do Avô Mateus ao longo do tempo. Passem por lá e deixem contribuições nos comentários.

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A Família Mateus

Ter máquina fotográfica era noutros tempos um privilégio, mas ainda assim existe um número significativo de fotografias do Avô. O ano em que foram tiradas e, em alguns casos o local, está para ser determinado. Se é que tal tarefa seja ainda possível. Muitos rostos estão sem identidade, outros são facilmente reconhecidos. Vaguear por estas janelas do passado tem sido uma excursão a outras épocas – os tempos do Avô, – que leva invariavelmente a mais perguntas que respostas.
O tom sépia e os contornos ligeiramente indefinidos acrescentam uma certa patina de nostalgia a estas imagens, cativando o nosso olhar e levando a imaginação a divagar pelo enquadramento distante daqueles momentos. Muitas destas imagens estão já incluídas no livro para ajudar os leitores a esboçar os contornos de algumas das histórias relatadas. Afortunadamente, tal só é possível devido ao esforço incansável de um dos filhos d’O Mateus, o Tio Josias, que ao longo de anos foi passando estas imagens para suporte digital. O resultado deste trabalho é um arquivo de imagens impressionante. O Avô chegou mesmo a estar presente em algumas das sessões deste trabalho, sentado em silêncio ao lodo do tio sempre com muita paciência e curiosidade.
Se algum dos nossos leitores conseguir olhar para qualquer das imagens que por aqui vão estar e dizer algo sobre o momento, o local ou as pessoas, estará a fornecer informação privilegiada e, acima de tudo, necessária. Infelizmente não haverá espaço no livro para todas as imagens, nem tão pouco para as mais interessantes. Mas as incluídas despertarão a imaginação e a memória.
Um comentário recente de um dos netos rotula as fotografias do blog como “deliciosas.” No livro aparecerão como deliciosas janelas para o passado. Começo a pensar seriamente em disponibilizar estas imagens para todos através de um arquivo online.

Para um tempo em que ter maquina fotográfica era um previlégio, não deixa de ser interessante o número significativo de fotografias do Avô tiradas ao longo da sua vida. O ano em que foram tiradas e, em alguns casos o local, está para ser determinado. Se é que tal tarefa seja ainda possível. Muitos rostos estão sem identidade, outros são facilmente reconhecidos. Vaguear por estas janelas do passado tem sido uma excursão a outras épocas – os tempos do Avô, – que leva invariavelmente a mais perguntas que respostas.

O tom sépia e os contornos ligeiramente indefinidos acrescentam uma certa patina de nostalgia a estas imagens, cativando o nosso olhar e levando a imaginação a divagar pelo enquadramento distante daqueles momentos. Muitas destas imagens estão já incluídas no livro para ajudar os leitores a esboçar os contornos de algumas das histórias relatadas. Afortunadamente, tal só é possível devido ao esforço incansável de um dos filhos d’O Mateus, o Tio Josias, que ao longo de anos foi passando estas imagens para suporte digital. O resultado deste trabalho é um arquivo de imagens impressionante. O Avô chegou mesmo a estar presente em algumas das sessões deste trabalho, sentado em silêncio ao lodo do tio sempre com muita paciência e curiosidade.

Se algum dos nossos leitores conseguir olhar para qualquer das imagens que por aqui vão estar e dizer algo sobre o momento, o local ou as pessoas, estará a fornecer informação privilegiada e, acima de tudo, necessária. Infelizmente não haverá espaço no livro para todas as imagens, nem tão pouco para as mais interessantes. Mas as incluídas despertarão a imaginação e a memória.

Um comentário recente de um dos netos rotula as fotografias do blog como “deliciosas.” No livro aparecerão como deliciosas janelas para o passado. Começo a pensar seriamente em disponibilizar estas imagens para todos através de um arquivo online.

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Os bons amigos: o Sr. Joel (esquerda), o Avô (centro) e o Sr. Timóteo (direita)

Dei com esta fotografia do Avô na companhia de dois (bons) amigos de longa data: o Sr. Joel e o Sr. Timóteo. A postura dos três revela uma amizade genuína. Esta imagem ajudou-me a materializar a ideia que o Avô foi em tempos jovem, com tudo o que isso implica. Muitas das amizades que se estenderam até ao fim da sua vida foram forjadas nesta fase da sua vida.

Gostava de saber mais sobre estas amizades e sobre a sua dinâmica. Seria bom apurar mais nomes e as histórias ou momentos a ligá-los ao Avô. Fica a sugestão para os leitores…

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Francisco Mateus algures no passado

Escrever um livro é uma tarefa motivadora quando o tema é interessante. Se o tema é fascinante, a tarefa torna-se quase sublime.  E temas fascinantes não faltam quando se fala de alguém com um carácter singular como Francisco Soares Mateus, mais conhecido por Avô Mateus, mas igualmente reconhecido como Sr. Mateus, Irmão Mateus, ou simplesmente O Mateus.

Sabendo do interesse de muitos amigos e familiares em preservar a sua memória, este blog pretende manter os futuros leitores a par do progresso da escrita do livro de memórias e, ao mesmo tempo, envolvê-los no processo de escrita, através da partilha de todo o tipo de informação sobre O Mateus.

O livro será uma colecção de histórias e memórias de alguém que se destacou como pessoa, amigo, pai, avô, irmão e, mais importante, como servo de Deus. A ideia do livro, assim como o seu título – Uma Árvore de Vida – nasceu no dia em que um neto se cruzou, não por acaso, com uma frase do livro de Provérbios no Antigo Testamento: ”Os que seguem Deus são como uma árvore de vida.” Num momento de rara lucidez, percebeu imediatamente que o seu Avô era uma dessas árvores.

Um álbum de memórias é uma melhor definição para este trabalho do que propriamente um livro. Entre inúmeras alusões ao passado do Avô Mateus (como é apresentado ao longo do livro), são as histórias, muitas delas de momentos pessoais Avô-neto(s), que mais se destacam.

Todos os comentários às mensagens adicionadas ao blog são bem-vindos, especialmente se relembrarem o passado d’O Mateus.